Dragões #471 Fev 2026 | Page 46

FUTEBOL
FEVEREIRO 2026 REVISTA DRAGÕES

OURO

EM CASA

O Dragão recebeu o troféu que todas as seleções sonham levantar e o Porto fez o que faz melhor, transformando um objeto em causa. Entre aplausos e memórias, André Villas-Boas sublinhou o estatuto singular do FC Porto, Roberto Carlos trouxe a emoção de campeão e a cidade devolveu o recado com a convicção de sempre: aqui o futebol não se explica, sente-se.
TEXTO de ALBERTO BARBOSA

O troféu do Campeonato do Mundo da FIFA entrou no Estádio do Dragão com aquele peso silencioso que não se mede em quilos, mas na carga simbólica das fotografias de infância, das finais vistas de madrugada e da ideia teimosa de que um dia pode ser connosco. Foi a primeira vez que este símbolo máximo do futebol de seleções esteve exposto num estádio português e, por uma tarde, a palavra“ Mundial” deixou de ser um horizonte distante para caber dentro de casa, entre famílias, filas de curiosos e um programa de atividades que transformou a contemplação em convívio. Na tribuna VIP, André Villas-Boas colocou o momento no território certo, algures entre a gratidão e a afirmação.“ Quero agradecer à Coca-Cola pela escolha do Estádio do Dragão, a escolha do FC Porto e a escolha desta cidade”, disse o presidente, antes de fixar a frase que acrescentou status e contexto:“ Não poderia ser de outra maneira, porque o FC Porto é o único clube português com o estatuto de campeão do mundo”. O troféu brilhava, mas o recado era outro, porque há memória, há legado e há um lugar onde faz sentido expor o topo do futebol mundial.

O ouro nas mãos de quem o conhece: 24 anos depois, Roberto Carlos reencontrou o troféu do Mundial no Estádio do Dragão.
A seguir veio a continuidade que não faz manchete, mas faz clube.“ A nossa parceria com a Coca-Cola já vai longa, são agora 27 anos”, recordou Villas-Boas, destacando o que considera essencial:“ Tem sido um apoio fundamental, principalmente no desporto adaptado”. E quando acrescenta que o FC Porto“ continua a crescer enquanto clube, mas também enquanto ferramenta social desportiva e eclética”, transforma um evento de vitrinas num manifesto de serviço com o objetivo de crescer sem perder utilidade e a meta bem definida de ganhar sem perder comunidade. Houve ainda espaço para um sorriso
46