A faísca de Abidjan
Touré como padrão
PERFIL
FEVEREIRO 2026 REVISTA DRAGÕES
A faísca de Abidjan
A relação de Seko Fofana com a seleção da Costa do Marfim nasce de uma escolha e amadurece como uma carreira: devagar. Com passagem pelas seleções jovens de França, decidiu em 2017 que o“ sim” estava guardado para os“ elefantes”. Meses depois, em novembro do mesmo ano, estreou-se num jogo de qualificação para o Mundial, com uma derrota frente a Marrocos, e foi ganhando espaço com o tempo. A partir daí, a história fez-se de avanços e recuos, convocatórias, competição interna, entradas e saídas, até se tornar uma peça cada vez mais útil pela combinação que o define – motor e critério. E é precisamente na condição de motor que fica ligado ao arranque da Taça das Nações Africanas de 2023( disputada em janeiro de 2024 por razões meteorológicas). No jogo de abertura, em Abidjan, só precisou de quatro minutos para marcar o primeiro golo do torneio: apanhou uma bola solta à entrada da área, rematou de primeira, libertou a ansiedade do país anfitrião e abriu caminho para o 2-0 frente à Guiné-Bissau. Aquele golo foi muito mais do que um“ simples” 1-0. Foi uma espécie de tom para a competição, a mensagem de que a equipa queria mandar no ritmo de todo e qualquer jogo. No fim, a CAN acabou mesmo por ser uma narrativa de redenção coletiva, com a Costa do Marfim a levantar o troféu em casa.
Na Taça de África de 2023, Seko Fofana segurou o troféu que a Costa do Marfim levantou em casa e guardou um detalhe para a história: marcou, logo aos 4 minutos do jogo de abertura, o primeiro golo do torneio.
Touré como padrão
Quando Seko Fofana pediu a camisola 42 não escolheu apenas um número, escolheu uma linhagem com o propósito assumido de homenagear Yaya Touré, internacional costa-marfinense com“ muito futebol nos pés e na cabeça”. E Touré foi mais do que músculo. Foi condução para partir linhas, passe para mandar no ritmo e chegada à área como terceiro avançado. No Barcelona, Yaya dividiu o relvado com Messi, Xavi e Iniesta no coração do jogo, com Eto’ o e Henry na linha da frente, e ainda com Ronaldinho, Busquets, Ibrahimović e Deco. Nessa constelação, foi peça útil e versátil, integrando a equipa que conquistou o triplete de 2008 / 09, época que ficou como ponto de viragem na história moderna do Barça. No Manchester City, foi contemporâneo de uma geração que mudou o clube: Agüero e Tévez na frente, David Silva a pensar o jogo por dentro, Kompany como capitão e, já na reta final, De Bruyne a herdar o comando criativo. Yaya Touré foi eleito Futebolista Africano do Ano em quatro anos consecutivos( 2011 a 2014) e, com a camisola da Costa do Marfim, ajudou a liderar a geração que conquistou a Taça das Nações Africanas em 2015. Ao vestir o 42, Fofana não está só a citar um ídolo, está a assumir um padrão.
45