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FEVEREIRO 2026 REVISTA DRAGÕES
Às 00h42 de 15 de fevereiro, o Dragão iluminou-se em tons de azul e a memória ganhou altitude. Sobre o estádio, um retrato desenhado em pontos de luz lembrou que 42 anos de liderança não cabem no chão nem se encerram numa data. Ficam suspensos na cidade, no olhar dos adeptos e no legado que continua a iluminar o caminho. que o clube aprendeu a reconhecer como identidade:“ A vitória não nasce do conforto”, nasce da exigência, da superação, da firmeza. Outra, de peito aberto, responde ao ruído eterno que acompanha quem vence: o FC Porto é“ maior do que qualquer ataque, maior do que qualquer caricatura, maior do que qualquer campanha”. E a síntese final aponta para a única forma portista de lidar com a ausência, porque“ não se trata apenas de recordar, tratase de continuar”. Um ano depois do desaparecimento de Pinto da Costa, André Villas-Boas, herdeiro de“ um clube forte e poderoso”,“ vencedor por mérito” e“ duro por necessidade”, constatava que“ o nome permanece” e que“ a obra permanecerá para sempre”.
MEMÓRIA EM MOVIMENTO A ponte entre memória e futuro foi o fio que uniu as iniciativas do clube no primeiro aniversário da morte de Jorge Nuno Pinto da Costa. Porque, se a saudade é inevitável, a forma de a trabalhar tem método e a capacidade de transformar dor em obra e obra em partilha. Tudo começou, ainda em fevereiro de 2025, com um memorial, criado de forma espontânea, junto ao Estádio do Dragão. Cachecóis, camisolas, flores, bandeiras, recados e objetos de devoção foram deixados por uma comunidade que, de repente, precisava de um lugar para pousar a falta. O clube recolheu e preservou esse espólio e, a 28 de dezembro de 2025( data em que Pinto da Costa celebraria 88 anos), abriu ao público um memorial permanente no Estádio do Dragão, materializando a homenagem popular num espaço visitável. Em fevereiro de 2026, o tributo ganhou também uma versão digital que documenta o processo, reúne imagens e testemunhos e permite que qualquer pessoa, em qualquer lugar, perceba a dimensão do que aconteceu à porta do Dragão. O próprio projeto revisita a“ obra” e recorda os 2.594 títulos conquistados em todas as modalidades e escalões, com destaque para 69 no futebol. Houve ainda uma ideia simples e poderosa, com vocação de colecionador e de gesto comunitário: a Camisola do Presidente dos Presidentes, edição limitada a 2.594 unidades, uma por cada título da era. As listas azuis são formadas pela enumeração de cada um dos troféus, nas costas o design do número 42 é inspirado na caligrafia do próprio Pinto da Costa e um chip NFC( tecnologia de comunicação sem fios de curto alcance) revela qual o título associado à camisola comprada na simples aproximação de um smartphone. O resultado foi imediato: duas horas bastaram para esgotar todas as unidades, com a receita a reverter para a Fundação FC Porto. Se o memorial foi chão e a camisola foi tecido, a homenagem com drones foi céu. Na madrugada de 15 de fevereiro, às 00h42, o Dragão olhou para cima e viu a data a conversar com o número: 42 anos de presidência convertidos numa hora simbólica. O espetáculo iluminou o céu junto ao estádio com referências ao antigo presidente e ao seu legado, num momento pensado para ser visto a partir do viaduto. No céu, as“ páginas” foram virando uma a uma: primeiro, um coração azul a pairar sobre o estádio, como quem devolve carinho à cidade; depois, um retrato estilizado de Pinto da Costa, feito de pontos de luz, a surgir acima da cobertura como uma assinatura reconhecível; a seguir, um troféu desenhado a traço luminoso, acompanhado por uma mão aberta, numa alusão clara ao pentacampeonato; e, num dos quadros mais imediatos, a silhueta da Taça dos Campeões Europeus a lembrar que houve noites em que o FC Porto não só sonhou alto como levantou bem alto. Uma pequena galeria
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