Dragões #471 Fev 2026 | Page 28

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FEVEREIRO 2026 REVISTA DRAGÕES

ATÉ O CÉU FALOU COM SOTAQUE

A data que dói voltou e o FC Porto respondeu com uma linguagem própria, feita de símbolos, números e gestos partilhados. Do memorial que ficou no estádio ao memorial que cabe no mundo inteiro, passando pela camisola de edição limitada e pela homenagem aérea, o dia foi um roteiro de pertença. André Villas-Boas resumiu o essencial com um género de dureza serena:“ Não se trata apenas de recordar. Trata-se de continuar.”
TEXTO de ALBERTO BARBOSA

Há um silêncio inevitável que volta sempre no mesmo dia, aquele em que o FC Porto recebeu a notícia que ninguém queria ouvir. A 15 de fevereiro de 2025, às primeiras horas de uma noite de inverno sem chuva, mas com um vento leve a varrer a cidade, como se o céu tivesse escolhido falar baixinho, fechou-se o capítulo terreno de Jorge Nuno Pinto da Costa. Em vez de um ponto final, ficou uma interrupção grave; e em vez de terminar, aquele nome começou a ecoar.

A mensagem de André Villas-Boas publicada no site oficial do FC Porto foi, desde logo, o coração verbal da data.“ Faz hoje um ano” que o FC Porto o perdeu, escreveu o atual presidente, abrindo um abraço em duas direções: à família,“ pela dor íntima e irreparável”, e aos adeptos, por décadas de“ presença constante” e liderança sem paralelo. O texto ganhou verdadeira tração quando Villas-Boas desviou o foco do número para o fazer incidir sobre a cultura de quem“ amava o Porto e amava o Norte”.“ Não como slogan”, observou,“ mas como identidade”. Há legados que não se medem apenas em títulos, porque mudam todo um“ modo de estar, de ser e de sentir”, escreveu o presidente. Muito para além do palmarés, Pinto da Costa deixou uma tripla afirmação: a do FC Porto, a da cidade e a do Norte. Tudo“ sem pedir licença”, insistiu. Foi também aí que surgiram as declarações mais“ fortes”, aquelas que ficam para lá do calendário. Uma delas, quase um manifesto, condensa a escola
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