Dragões #471 Fev 2026 | Page 30

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FEVEREIRO 2026 REVISTA DRAGÕES
A edição limitada da camisola do“ Presidente dos Presidentes” foi criada como tributo à obra e aos 2.594 títulos conquistados durante 42 anos de liderança de Jorge Nuno Pinto da Costa. Cada uma das 2.594 unidades corresponde a um troféu, revelado através da tecnologia NFC com a aproximação de um smartphone. Esgotaram em duas horas e as receitas reverteram para a Fundação FC Porto.
aérea, toda em azul, a transformar seis minutos em memória com cor e forma.
DO PORTO PARA O MUNDO As homenagens ganham força quando se voltam a ligar ao percurso e o de Jorge Nuno Pinto da Costa tem essa ironia inaugural, a do menino de oito anos, levado pelo tio Armando ao Campo da Constituição para ver um jogo com o Sporting de Braga, que pouco ou nada viu, mas nunca esqueceu o que sentiu. Talvez seja essa a melhor definição de mística. O resto foi uma sucessão de portas abertas. A inscrição como sócio no penúltimo dia de 1953, pela mão da avó Alice, o trabalho cedo, sem universidade, e a conversa que mudou tudo, quando, em 1958, Cesário Bonito o convidou para vogal do hóquei em patins. A partir daí, o clube começou a ser, para ele, mais do que pertença, passou a ser missão. O regresso com“ carta branca” em 1975 abriu a era de José Maria Pedroto e de uma reconstrução que tinha tanto de futebol como de afirmação institucional. Vieram a Taça, o fim do jejum de 19 anos, o bicampeonato. Vieram também as fraturas políticas e a decisão de concorrer à presidência da direção. Venceu as eleições de 1982 e, dois anos depois, viveu a primeira final europeia antes da dor maior: a perda do“ Mestre”.
A história não esperou e, em 1987, Viena virou cenário de lenda, com o FC Porto a vergar o Bayern e erguer a Taça dos Campeões Europeus. Depois Tóquio, o nevão, a Taça Intercontinental e o triplete internacional completado com a Supertaça Europeia. A partir desse momento, o clube deixou de ter ambição europeia para passar a ter currículo. Nos anos seguintes, a máquina afinouse com a mesma fome e com uma capacidade rara de escolher pessoas no instante certo. Bobby Robson, o penta nos Aliados e, em 2002, o“ coelho da cartola” chamado José Mourinho, que devolveu ao FC Porto a glória continental em Sevilha e Gelsenkirchen, enquanto o Estádio do Dragão surgia como símbolo de uma modernidade construída sem abdicar de identidade. A década seguinte continuou a somar: a Liga Europa em Dublin, com um treinador em época de estreia e hoje presidente do clube, séries de campeonatos e dobradinhas. No fecho das contas, a grandeza pode resumir-se num número que parece exagero e, por isso mesmo, diz a verdade do fenómeno: 2.594 troféus em 15.356 dias de liderança. Há ainda um pormenor que ajuda a explicar a dimensão do fenómeno. O Memorial Digital escolhe como lema“ Do Porto para o Mundo”, que funciona
como resumo do percurso. Começou numa bancada onde um rapaz quase não viu o jogo e acabou num clube que aprendeu a ganhar em todas as frentes, a crescer com a cidade e a fazer a cidade crescer com ele. Há uma frase de André Villas-Boas que funciona como bússola para este primeiro aniversário:“ Trata-se de continuar”. É por isso que o memorial existe, físico e digital, é por isso que uma camisola se transformou em objeto de arquivo, é por isso que o céu foi iluminado à 00h42. Tudo aponta para o mesmo sítio, a ideia de que a história do FC Porto não é um museu parado, é corrente em movimento. Pinto da Costa foi, simultaneamente, o homem dos títulos e o homem do tom. O homem que fez do Porto e do Norte uma afirmação que deixou de pedir licença e o homem que ensinou que, aqui, ganhar não é conforto, é disciplina.
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