TEMA DE CAPA
FEVEREIRO 2026 REVISTA DRAGÕES
internacional argentino, e Diogo Costa,“ uma das maiores promessas do futebol português”, a competição era de outra ordem. Ainda assim, foi nesse mesmo aperto que encontrou combustível.“ Estou aqui numa luta que vai ser boa para mim”, pensou. E prometeu a si próprio um salto invisível, mas real:“ Se eu achava que já era bom guarda-redes, tinha a certeza de que dali a dois ou três anos, a trabalhar com eles, iria ser ainda melhor”. A liderança que foi conquistando nasce precisamente desse lugar onde não há palco. Quando lhe pedem para descer à equipa B, num ano complicado, ele aceita, não como resignação, mas como necessidade e desejo de voltar a sentir jogo.“ Quando me disseram que ia jogar, fiquei superfeliz. Queria voltar a sentir o que era a adrenalina de um jogo”. E é aí que ele explica a regra que o orienta e que acaba por se tornar identidade – cada papel tem de ser desempenhado como se fosse o principal, mesmo que o ego grite o contrário.“ O meu objetivo é ser titular sempre”, confessa, sem rodeios nem disfarce. Mas a seguir vem a frase que define o profissional:“ Se sou o número 2, tenho que ser o melhor número 2 de todos”. Na altura, nem era o 2, era o 3, e o princípio manteve-se: ser“ o melhor terceiro guarda-redes”, ajudar colegas e equipa“ ao máximo”. Quando finalmente se estreia no Dragão, em dezembro de 2021, a baliza volta a lembrar-lhe uma diferença que só se percebe lá dentro: no FC Porto, o guarda-redes vive de poucas bolas, mas nenhuma pode passar. Cláudio recorda a primeira grande defesa, quase no fim do jogo com o Rio Ave para a Taça da Liga, quando o adversário tenta“ picar” a bola por cima e ele responde com reflexos à altura. E descreve a lógica com clareza:“ O que difere é a concentração e o foco”. Até pode parecer mais fácil, porque o número de intervenções é menor, mas é precisamente o contrário. Quando a bola finalmente chega, tem de estar pronto.“ Senão, não és
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