VOLEIBOL
JANEIRO 2026 REVISTA DRAGÕES
As distribuidoras são como o motor de um carro, são as responsáveis por fazer a equipa andar. Às vezes também gostava de atacar, confesso, mas os treinadores nem sempre aprovam.
Como era o voleibol na Bósnia? Era muito técnico, um jogo de persistência. Estávamos sempre no chão a lutar por todas as bolas.
Aos 19 anos mudou-se para a Suíça para jogar voleibol. Foi um ano de muito crescimento? Foi muito complicado emocionalmente. O meu primeiro ano fora de casa coincidiu com a pandemia e eu fiquei muito assustada, sem saber o que fazer. No ano seguinte mudeime para a Sérvia para ficar mais perto de casa e da minha família.
Adaptou-se com facilidade? Sim, podia falar a minha língua e sentiame em casa. Ainda era muito jovem e estava numa equipa que tinha grandes objetivos e queria ganhar tudo, por isso acabei por não ter tantos minutos, o que me levou a mudar-me para a Ásia.
Porquê Taiwan? Eu amo tudo na Ásia, desde a comida à cultura, sempre foi um continente que me fascinou. Queria experimentar um voleibol mais rápido, com muitas combinações e sinto que aprendi imenso. A equipa técnica era muito exigente e o treinador também tinha sido distribuidor, por isso ensinoume a jogar com uma mão e a disputar bolas na rede, por exemplo.
Ter um treinador que jogou na mesma posição é uma vantagem? Eles sabem exatamente aquilo que estamos a sentir e entendem a nossa perspetiva durante o jogo, o que acaba por ajudar.
De todos os países em que jogou, qual foi o que mais gostou? Em termos de voleibol, foi Taiwan, mas se falarmos do país, tenho de dizer Portugal.
Qual é a sensação de representar o seu país na seleção? É espetacular. Ter a oportunidade de representar o nosso país nas competições internacionais é uma sensação única. É a melhor parte de ser atleta.
E a de jogar num Dragão Arena cheio de adeptos? É a segunda melhor parte. Estes adeptos entendem muito de voleibol. Sabem como apoiar a equipa e conseguem influenciar a nossa energia. Os adeptos alemães também eram incríveis, mas quando o ritmo da equipa baixava, eles paravam de cantar. Aqui acontece precisamente o oposto.
O FC Porto foi o passo certo? Acredito que sim. Tenho 13 companheiras fantásticas que adoro. O clube é muito organizado e proporciona-nos todas as condições para melhorarmos.
Como estão a correr os primeiros meses? Tenho vivido um sonho, mas o início foi duro. Começámos na praia e já não treinava na areia há alguns anos, então foi difícil, mas confesso que também me diverti.
Quem foi o seu maior apoio nessa altura? A Shainah Joseph é a principal responsável pelo ambiente que temos no balneário. É aquela colega de equipa que se mantém sempre positiva, não para de cantar as músicas do clube antes dos jogos e, além disso, é uma das jogadoras mais experientes. Faz um excelente trabalho a unir o grupo.
E dentro do campo, quem a ajuda mais? As distribuidoras sentem-se muito sozinhas dentro de campo, mas sempre que isso acontece os treinadores assumem a responsabilidade de nos ajudar. O Miguel Coelho é muito bom nisso. Há alturas em que não estamos a conseguir pontuar e, por vezes, as atacantes também tomam a iniciativa de pedir a bola para fecharem o ponto. Gosto disso nesta equipa. Há sempre alguém que nos dá a confiança de que precisamos.
A química com a Kelsey Veltman já vinha do Stuttgart? Já tínhamos uma boa química, mas não jogávamos muito juntas. A Kelsey está a ter mais oportunidades no FC Porto e está a provar o que vale. Consegue
atacar várias bolas combinadas e noto que desfruta muito mais do jogo.
Qual é o segredo para este arranque praticamente perfeito? A química da equipa e o trabalho. Nós gostamos muito de treinar, não nos importamos de repetir várias vezes os mesmos exercícios e temos sempre muita energia. Quando sentimos que não aguentamos mais, há sempre alguém que nos mostra que conseguimos. Esta química é muito importante.
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