Dragões #470 Jan 2026 | Page 64

VOLEIBOL
JANEIRO 2026 REVISTA DRAGÕES

“ Tenho vivido um sonho”

Dos Balcãs ao extremo Oriente, Milana Božić já correu meio mundo e continua a carregar no olhar a inquietação de quem nunca se acomoda. Entre passes arriscados e decisões que mudam jogos, encontrou no FC Porto um novo palco para a ambição e no Dragão Arena uma verdadeira família. Distribuidora por destino e líder por natureza, o perfil de“ Millie” assenta que nem uma luva num plantel que vive, respira e sente o voleibol a cada jogada. Ou não fosse ela capaz de fazer o jogo acontecer sem dar nas vistas.
TEXTO de MARIA LEONOR COELHO

Bósnia, Suíça, Sérvia, Taiwan, Grécia e Alemanha. O que faz uma atleta com este currículo em Portugal? Trago experiência. Todas as decisões que tomei levaram-me a dar um passo em frente. Depois de jogar na Alemanha, este era o próximo passo. Gosto de jogar em novos campeonatos, é sempre uma boa experiência e adoro conhecer novas culturas e novos estilos de voleibol. Foi por isso que quis vir para Portugal.

Mas recuemos no tempo. Como é que o voleibol surgiu na sua vida? Quando era criança já dizia que jogava voleibol com a Maja Ognjenović. Ninguém acreditava, mas foi assim que esta aventura começou. Queria mesmo ser como ela, aprender com ela e jogar ao lado dela. Infelizmente, isso nunca chegou a acontecer, joguei várias vezes contra ela, mas nunca fomos da mesma equipa.
Sempre quis ser distribuidora? Ninguém quer. Eu, pelo menos, não queria. O meu treinador teve de insistir muito comigo, porque eu tinha uma boa técnica e ele conseguiu convencer-me com o argumento de que seria o cérebro da equipa. Além disso, fez-me perceber que não tinha altura para ser oposta e, se quisesse ser jogadora profissional, tinha mesmo de ser distribuidora.
Não sente falta de atacar? As distribuidoras também podem atacar, mas não creio que um ataque seja mais emocionante do que um bom passe. São os passes que decidem o jogo.
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