Dragões #470 Jan 2026 | Seite 26

ENTREVISTA
JANEIRO 2026 REVISTA DRAGÕES
É importante que os jogadores tenham as suas ambições, os seus objetivos pessoais, mas mais importante é ter um coletivo, todo o mundo conectado. Eu quero jogar, o Pepê quer jogar, o Borja quer jogar, o Oskar quer jogar, mas cada um tem seu momento, e nós sabemos respeitar o momento de cada um, obviamente. É importante haver essa competitividade, porque um ajuda o outro a melhorar, um faz um golo, o outro quer fazer dois golos. O coletivo é que importa.
Deixa-me fazer-te um desafio, do qual vamos excluir o Oskar, porque acabou de chegar. O Pepê é aquele jogador de estratégia, o Borja é um lutador que também finaliza e o William, o mais jovem dos três, tem um pouco dos dois. Concordas? Eu, o Pepê e o Borja somos semelhantes em alguns aspetos. O Pepê é o jogador tecnicamente mais refinado da nossa equipa, tem uma qualidade impressionante. O Borja … eu revejo-me muito no Borja, que é lutador, gosta de finalizar, mas também tem uma técnica refinada. Sim, é assim que me vejo.
Se, de repente, tens um crescimento exponencial, vai chegar um daqueles tubarões que vai querer levar o William, que tem uma cláusula de 100 milhões de euros e, marcar em Salzburgo, na Liga Europa, voltou as atenções sobre ti. Sentiste isso? Claro, a Liga Europa é uma competição diferente. Estávamos preparados para um jogo difícil em Salzburgo, para um jogo brigado, mas eu estava confiante depois dos golos contra o Casa Pia e contra o Sporting. Algumas pessoas disseram que eu queria cruzar, mas eu cheguei confiante, chutei e deu certo.
Os dois golos seguintes que marcas têm muito a ver com a tua capacidade de estar concentrado, mesmo quando parece que a bola não é para ti: o golo ao Estoril, em que interceptas um passe de um defesa, e o golo ao Tondela, em que pressionas e obrigas ao erro do guarda-redes. A nossa equipa tem essa capacidade de pressionar alto e nós sabíamos que o Estoril é uma equipa com grandes qualidades técnicas e que, se pressionássemos bem, eles poderiam errar. Fui muito feliz na leitura e consegui intercetar o passe. Contra o Tondela, os nossos analistas detetaram algumas fragilidades no adversário, nomeadamente no guarda-redes, e eles sabiam que a pressão poderia ser um gatilho. Voltei a ler bem o momento de pressão e consegui recuperar a bola do guarda-redes.
Normalmente festejas com a mão na cara e o dedo em riste, mas já variaste, nomeadamente em Alvalade, formando com os dedos a máscara que o Pepê usava na altura. Como crias os teus festejos? Vou criando em casa mesmo, com os amigos. Eles dizem que esta ou aquela comemoração seriam interessantes e eu tento, mas vou variando, porque gosto de inovar.
Digamos que preparas o jogo em todas as perspetivas … Exatamente, temos de estar preparados para tudo. Preparo-me para marcar, preparo-me para ajudar defensivamente e, quando faço um golo, já estou preparado para uma comemoração nova.
Há um golo que festejas com um menino. É com o Estoril, não é? Podias ser tu aquele menino? Perfeitamente, vivi muito isso com o meu pai. Na hora em que vou festejar o golo e ele está ali com um sorriso no rosto, lembrei-me de como eu era, do torcedor que já fui, do adepto que era, e então deu-me uma felicidade, fiquei contagiado pela alegria dele.
No teu perfil no Instagram, talvez em 2007, a acompanhar uma das tuas imagens, escreves que nunca devemos esquecer de onde viemos, para sabermos por que começámos. Acho essa frase interessante, porque vivemos muito no automático das nossas vidas e, por vezes, esquecemos quem somos e de onde vimos. Eu tento sempre recordar de onde vim e lembrar das minhas batalhas, para continuar a seguir forte e a sonhar alto.
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