Dragões #470 Jan 2026 | Page 27

ENTREVISTA
JANEIRO 2026 REVISTA DRAGÕES
“ VAMOS JOGAR TODOS OS JOGOS PELO JORGE COSTA, QUE FOI UM DOS GRANDES ÍDOLOS DO FC PORTO E PARTILHAVA O DIA A DIA CONNOSCO. MAIS DO QUE QUALQUER UM, ELE ACREDITAVA NESTA EQUIPA E SABIA QUE TÍNHAMOS, E TEMOS, GRANDES CHANCES DE SERMOS CAMPEÕES ESTE ANO.”
Naquele menino pode estar alguém capaz de seguir as tuas pisadas? Talvez possa servir-lhe de exemplo. Mais lá para a frente, ele vai lembrar-se disso.
Entretanto, o FC Porto elimina o Benfica da Taça de Portugal, ganha jogos grandes que não tinha conseguido ganhar na época anterior, ganha também ao Sporting de Braga. Fala-se muito em crescer em cima dos erros, das dificuldades, mas a verdade é que ganhando também se cresce em termos de confiança. Era importante ganhar esse extra de ânimo? Nós cremos na lógica de irmos jogo a jogo, porque isso é que vai fazer a diferença lá na frente, mas também estamos preparados para a possibilidade de surgir um resultado menos bom em qualquer momento, porque no futebol não se ganha sempre.
Estão preparados? Temos de estar preparados para qualquer situação, para qualquer circunstância. Se as coisas correrem mal, no outro dia teremos que trabalhar mais para que as coisas voltem aos trilhos normais.
Para quem veio do São Paulo, que tem uma torcida de cobrança, porque é um clube grande, foi mais fácil adaptar-se à cobrança dos adeptos do FC Porto? Não esperava que fosse tão forte assim, igual à do Brasil. No Brasil, já estamos acostumados a isso, às torcidas organizadas e tal. A verdade é que não esperava que fosse tanto assim, mas a cobrança é importante, ajuda-nos a crescer cada vez mais.
Isso também se enquadra naquela visita que vocês fizeram ao museu. A cobrança é diretamente proporcional às conquistas e à necessidade de conquistas que o clube tem? Claro, nós sabíamos, todo o mundo sabe da grandeza do FC Porto e a ida ao museu ajudou-nos a ter um conhecimento mais profundo do que é o FC Porto e o nível de exigência do clube.
Várias das imagens que se podem ver no museu são do Jorge Costa a levantar a Taça Internacional, a Taça UEFA, a Liga dos Campeões... Viver a morte do Jorge Costa foi o teu pior momento no Porto? Foi o pior momento para todos os que carregam essa cicatriz. Nós temos um lema: vamos jogar todos os jogos por ele, que foi um dos grandes ídolos do FC Porto e partilhava o dia a dia connosco. Mais do que qualquer um, ele acreditava nesta equipa e sabia que tínhamos, e temos, grandes chances de sermos campeões este ano.
As últimas palavras dele foram mesmo que, finalmente, o FC Porto tem uma equipa e tem uma equipa que transmite confiança.
Ele foi muito importante na minha chegada, conversava muito comigo, chamava-me várias vezes para me dizer para ficar tranquilo, que era normal não jogarmos tanto quanto esperávamos, que eu estava num período de adaptação. Foi muito importante ouvir isso de um ídolo, de uma pessoa experiente. Eu ficava mais tranquilo e ele sabia do meu potencial. Dizia-me sempre para ficar com a cabeça no lugar, porque as coisas iam acontecer.
E as coisas estão a acontecer. Um ano depois de teres chegado ao FC Porto, quem é o William? Mudou muita coisa, mas a minha mentalidade é a mesma, é a de continuar a trabalhar, independentemente de estar a jogar ou não, de ajudar de alguma maneira. Quando não jogava com frequência, queria ajudar de alguma maneira e conversava muito sobre isso com o amigo que morava comigo. Passava por dias difíceis, mas sabia que ia valer a pena. As coisas estão a acontecer.
O que gostas de fazer fora do futebol para potenciar esse William? No meu dia a dia, só consigo distrair-me um pouco depois das nove, porque os meus dias são longos. Quando saio do centro de treinos, faço a minha fisioterapia em casa e, no final do dia, tenho um tempo livre, uma horinha antes de deitar. Geralmente, jogo videojogos como os meus amigos ou um jogo no celular, alguma coisa para distrair.
Por falar em celular, lembras-te da primeira publicação que fizeste no Instagram? Lembro.“ Nunca desista dos seus sonhos”. Acho que é a foto em que tínhamos acabado de ser campeões na Baden Powell e eu posto isso em 2017.
E qual é o teu sonho agora? Eu tenho vários sonhos, mas o mais imediato é terminar a temporada bem, terminar a temporada com todos os títulos possíveis.
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