ENTREVISTA
JANEIRO 2026 REVISTA DRAGÕES
sair o Evanilson, um dos melhores amigos dele. Vocês começaram logo a ser grandes parceiros, ele ajudou-te na adaptação e tu ajudaste-o a superar aquela crise. Já falaram sobre isso? Claro, ficámos íntimos nos primeiros meses e quando fomos para o Mundial de Clubes começámos a andar todos os dias juntos, a fazer tudo juntos. Na pré-época, com o mister Farioli, já nos ajudávamos bastante, ele aconselhava-me muito e eu aconselhava-o do jeito que sabia e podia, porque sabia que a última temporada dele tinha sido bastante difícil. Então eu tentava transmitir-lhe alguma alegria, porque ele alegre é isso aí que está a fazer, a jogar bem, a jogar muito.
Achas que isso se nota entre os próprios adeptos? Nesta vossa interação do anúncio da Betano, creio que se percebeu bem a energia que há entre vocês. Ah, claro. Acho que os adeptos sabem um pouco do que é o nosso diaa-dia. Ele está sempre a brincar comigo e eu estou sempre a brincar com ele. Às vezes ele é chato, mas gente boa.
Quando ele ler isto é que vai ter cobrança. Falavas há pouco do Mundial de Clubes, que também acaba por não correr muito bem. Marcas um golaço, de alguma forma impões-te, mas há ali um momento em que os alas não tinham tanta importância assim no estilo de jogo de Martín Anselmi, porque eram os laterais a dar a profundidade, com os restantes a jogar muito por dentro. Foi uma dificuldade para ti? No início foi bastante difícil para mim, porque eu estava a fazer duas posições, que eu não estava acostumado, que era a lateral esquerdo, a ala esquerdo, e também a jogar um pouco por dentro, de costas. Creio que no Mundial as coisas não estavam a ir bem e o Anselmi teve de mudar a tática. Eu já estava a ir bem, a treinar bem e daí ele veio conversar comigo e disseme que queria utilizar-me na ponta esquerda. Acho que ali, no Mundial, foi a minha mudança de chave [ mudança de mentalidade, ponto de viragem ].
Tiveste poucas férias, mas foi muito importante para ti, a seguir ao Mundial, dispor de um período para serenar e para pensar em tudo o que tinha ficado para trás? É claro, acho que foi importante para todo mundo, estávamos todos com muitas coisas na cabeça, estávamos todos a precisar de respirar um pouco.
Como é que te preparas nas férias? O que gostas de fazer? Gosto de praia, e a praia daqui, de Portugal, é diferente da do Brasil. Lá dá para a gente tomar um banho de mar. Geralmente, passo as minhas férias todas na praia.
E gostas também de regressar a casa e de rever velhos amigos? Claro, claro, vejo sempre os meus avós, vejo os meus amigos também.
E quando chegas lá, já não és só aquele William que jogava no Baden Powell. Sentes o impacto da tua presença no futebol europeu, nas competições europeias? Para os meus amigos, eu sou só o William que eles conhecem desde sempre. Brincamos até com isso e eles dizem-me:“ Para mim, você é o William, não o William Gomes”. As outras pessoas, que me reconhecem e que não são tão próximas, são bastante acolhedoras e simpáticas comigo.
Depois que regressaste, é tudo novo. Treinador novo, plantel praticamente novo e, acima de tudo, espírito novo. Quando é que te apercebeste de que há aqui um espírito diferente, um espírito de maior intensidade, de maior união? No primeiro contacto que o mister teve connosco. Há até um vídeo dele a falar das“ dores” que ele teve também na temporada passada,“ dores” muito semelhante às nossas. Ele acabou por perder o título e nós não fizemos uma boa temporada. Deu para perceber que estávamos todos juntos, em sintonia e que podíamos fazer uma grande temporada. Logo na pré-época, conseguia perceber-se a intensidade em cada treino, todo o mundo de cabeça limpa, de cabeça tranquila e seguros de que poderíamos fazer uma grande
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