ENTREVISTA
JANEIRO 2026 REVISTA DRAGÕES
eu ajudava sempre, com vontade de correr, com vontade de batalhar. Tenho grandes recordações desse jogo, em que fizemos o golo mesmo no finalzinho.
Principalmente a vibração do Dragão nesse dia. O meu primeiro contacto com o Dragão foi aquilo e todas as vezes em que jogamos no Dragão espero que o estádio esteja daquela forma, porque o primeiro contacto que tive foi especial.
Depois, também tiveste o outro lado na derrota com o Benfica no Dragão, uma derrota pesada que não voltou a acontecer, porque esta época o FC Porto já jogou duas vezes com o Benfica no Dragão, empatou e ganhou. Também sentiste a cobrança dos adeptos? Claro, acho que toda a pressão dos adeptos era válida, porque não estávamos a viver um bom momento. Estávamos a tentar lutar, só que as coisas não estavam a acontecer. As cobranças geralmente são necessárias e nós sentimos muito aquela derrota, porque era um clássico e ninguém gosta de perder um clássico por 4-1 em casa.
Quando chegas ao FC Porto dizes que é um passo gigante na tua carreira. A cobrança que encontras ainda deu mais sentido às tuas palavras? Claro, eu sabia que seria um passo gigante na minha carreira, porque sair de um grande clube como o São Paulo e vir para um grande clube em Portugal era um sonho. Eu sabia da responsabilidade e sabia o que o FC Porto exige.
Saiu o Galeno e Nico González e chegas tu e Tomás Pérez, dois jogadores muito jovens. O São Paulo fica com 20 % do passe, porque acredita que tu te vais valorizar, e os simpatizantes do São Paulo ainda hoje acham que vieste barato. É verdade, recebo muitas mensagens no Instagram a falar sobre isso, mas é bom que o São Paulo tenha ficado com 20 %, porque eu vou ajudá-los, que estão a precisar.
Pois, o São Paulo está numa enorme crise. Neste momento em que chegas ao FC Porto, sai o Galeno e há uma expectativa muito grande em relação ao que pode ser o resto da temporada.
Entra um treinador argentino, o Martín Anselmi, e tu fazes a tua estreia em fevereiro, frente ao Sporting. Entras com a equipa a perder 1-0, e para fazer todo o flanco esquerdo, de lateral a extremo, porque o FC Porto está só com dois defesas em campo, contribuis imenso e deixas logo os adeptos apaixonados pela tua entrega. O que recordas dessa estreia? Tinha chegado uma semana antes, já tinha treinado algumas vezes e no primeiro contacto que tive com o Martín Anselmi ele disse-me que ia utilizar pelo lado esquerdo, de ala, posição que eu nunca tinha feito, mas eu estava disposto a jogar em qualquer posição. Então
Antigamente, o processo de chegada de um jogador brasileiro ao balneário do FC Porto era muito fácil, porque havia sete, oito, nove brasileiros. Agora há muito mais nacionalidades e há menos brasileiros. Como foi essa adaptação? Quando cheguei, o Pepê e o Otávio ajudaram-me bastante, acolheram-me bem. Eles eram os dois brasileiros que estavam cá, além do Samuel Portugal. Conversavam muito comigo e ajudaramme bastante, principalmente o Pepê.
Ainda bem que falas do Pepê, porque estou convencido de que tu fizeste muito bem ao Pepê e que o Pepê te fez muito bem. Quando chegas, o Pepê, que atravessava um momento exibicional bastante difícil, tinha acabado de ver
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