ENTREVISTA
JANEIRO 2026 REVISTA DRAGÕES os meus pais e os meus empresários para conversar e decidiram que estava na hora de assinar um contrato profissional. E daí deu tudo certo.
A partir daí, os teus pais perceberam que o menino só ia voltar a casa nas férias? É, acho que eles já sabiam, só estavam à espera que eu completasse 16 anos, porque no Brasil só se pode assinar contrato profissional a partir dos 16 anos.
E também te estreias rapidamente pela equipa A. Quem te leva para a equipa A é o Dorival Júnior, atual treinador do Corinthians e ex-selecionador brasileiro. Como foi a tua primeira chamada? O meu treinador dos sub-17, o Alan Barcelos, que está no São Paulo até hoje, conversava muito comigo e dizia-me que eu tinha de estar preparado para as consequências que estavam cada vez mais próximas. Ele ajustava-me a todo o momento, queria que eu melhorasse sempre e dizia-me:“ William, você precisa evoluir nisso, você precisa evoluir naquilo”. E daí o Dorival foi ver um jogo meu, em que eu estive bem, e uma semana mais tarde chamou-me para o jogo contra o Santos. Fiquei muito feliz e estou convencido de que a minha adaptação ao futebol profissional foi muito boa graças a ele, porque ele deu-me uma confiança de que eu não estava à espera. Desde o primeiro dia, o Dorival conversava comigo, transmitia-me confiança e diziame o que eu precisava melhorar.
Para um paulista, estrear no Morumbi era um objetivo, mas tu estreias no Maracanã, que também é casa do futebol, contra o Fluminense. Que recordações tens desse primeiro dia? Cara, acho que o Maracanã é o estádio mais emblemático do Brasil e nesse dia eu estava com a sensação de que ia entrar. O Dorival já tinha conversado comigo e, quando ele me chama, no decorrer do segundo tempo, fiquei um pouco nervoso, mas ele deu-me confiança, passou-me as instruções e eu fiquei muito feliz.
Passaste o teste do Maracanã e no ano seguinte estás, ainda antes dos 18 anos, no plantel principal. Curiosamente, nesse ano, o de 2024, recebes na equipa o James Rodríguez, alguém que já tinha ganho muita coisa no FC Porto. O Nahuel Ferraresi também tinha passado pelo Porto B. Alguma vez falaste sobre o FC Porto, nomeadamente com o James, que ganhou a Liga Europa com o atual presidente a treinador? Conversávamos algumas vezes e ele sempre me falou da grandeza do clube e da atmosfera. Eu já sabia que ele tinha sido campeão aqui, e ele sempre me deu as melhores referências daqui. Então, quando eu soube que ia ter a oportunidade de vir para cá, fiquei muito feliz, porque já tinha toda a informação que ele me tinha passado.
Isso é no final de um ano em que começas a ser treinado pelo Tiago Carpini e depois passas a ser treinado pelo Luís Zubeldia, um argentino a quem tu atribuis muito do mérito por te ter ajudado a melhorar a marcação e o desempenho defensivo. Ele ajudou-me em alguns aspetos, conversava sempre comigo e dizia-me o
“ SAIR DE UM GRANDE CLUBE COMO O SÃO PAULO E VIR PARA UM GRANDE CLUBE EM PORTUGAL ERA UM SONHO. EU SABIA DA RESPONSABILIDADE E SABIA O QUE O FC PORTO EXIGE.”
que eu tinha para melhorar. Demorei até um tempo para começar a jogar, mas ele deu-me a oportunidade e eu abracei-a, e comecei a jogar cada vez mais.
Tanto que começaste a jogar cada vez mais e marcas no teu primeiro jogo como titular. Foi contra o Vitória [ da Baía ]. Estava à espera dessa oportunidade há um bom tempo, mas, graças a Deus, fui feliz e fiz um golo.
Lembras-te desse teu primeiro golo como profissional? Lembro. 24 de agosto, acho eu.
Como é que foi? Recebo uma bola de fora da área, e daí, foi de fora da área mesmo. Eu jogava na ponta esquerda na época e desde a formação que tinha muito essa característica de chutar de fora da área. Já tinha feito alguns golos assim e vi que tinha a oportunidade de chutar de fora da área.
Um golo mais ou menos como o que marcaste no Mundial de Clubes contra o Al-Ahly … É, contra o Al-Ahly foi na direita, contra o Vitória foi na esquerda.
Esse golo é um dos momentos da tua temporada. Nesse ano, no São Paulo, caem nos quartos de final da Libertadores, nos penáltis apenas, contra o vencedor Botafogo. Ou seja, vocês tinham uma equipa forte. A nossa equipa era muito qualificada, era uma das melhores do Brasil, só que também sabíamos da força do Botafogo, que também tinha grandes chances de conquistar a Libertadores. Os dois jogos foram muito disputados, perdemos a oportunidade de marcar de penálti no segundo, fomos para a decisão nos penáltis e acabámos por ser eliminados.
Por essa altura, já ias tendo conhecimento de que a Roma e o Shakhtar estavam interessados em ti. O São Paulo fez muita força para tu não saíres. Como é que tu lidaste com isso? O meu foco principal era o São Paulo. Tinha na cabeça a ideia de que poderia escrever grandes histórias no São Paulo, então o meu foco principal era o São Paulo. Deixava essa parte de extracampo para os meus pais e o meu foco principal era o São Paulo.
Começa uma nova temporada no Brasil e sobre o último dia da janela de transferências do mercado de inverno, num negócio rápido, chegas ao FC Porto. Que argumentos te convenceram a vir quando estavas tão focado no São Paulo? Já sabia do interesse do FC Porto e já tinha informado o treinador e os dirigentes do São Paulo sobre a minha vontade, mas mantive-me sempre focado, até porque podia dar tudo errado e eu ia estar a sofrer por antecipação. Depois de um jogo, o meu empresário ligou-me e disse-me:“ Amanhã você viaja, está tudo certo e eu já resolvi tudo com os teus pais”. Fiquei muito feliz, obviamente, mesmo tendo noção de que tinha muitas coisas boas para fazer no São Paulo.
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