ENTREVISTA
JANEIRO 2026 REVISTA DRAGÕES à última avaliação no São Paulo, disse ao meu pai que ia treinar mal e que não queria passar, porque não queria ficar longe de casa. A verdade é que queria treinar mal, só que não consegui e acabei por passar. Mas fiquei muito feliz pela oportunidade. O problema é que a partir do momento em que me apercebi da dimensão da mudança, foi muito complicado lidar com a nova realidade, porque estar longe da minha família, estar longe dos meus amigos, estar longe da minha cidade, do ambiente em que sempre estive, foi muito complicado. Mas o meu pai e a minha mãe estiveram sempre presentes. Mesmo não morando comigo, davamme sempre apoio. Creio que no início, nos primeiros três meses, foi difícil, mas acabei por me acostumar. Com os meus pais a conversarem comigo com frequência, fui-me adaptando.
Os teus pais também tinham medo de algumas tentações que pudesse haver na cidade grande? Davam-te muitos conselhos para te focares no futebol e fugires às tentações que a cidade grande por vezes traz? Acho que medo não, porque eu tive uma educação muito boa e eles sempre me passaram o que era errado e o que era certo. Creio que já tinha maturidade suficiente para saber as coisas certas. Então, acho que a preocupação era de menos em relação a isso.
E tu, rapidamente, não só te impões nas categorias de base do São Paulo, como começas a ser chamado às seleções brasileiras de sub-15 e sub- 17. Como foi vestir a canarinha? Aconteceu muito rápido, até num momento em que não esperava. O treinador da seleção viu-me jogar e chamou-me. Na primeira vez, fiquei muito surpreso, porque não esperava. Sabia que estava preparado, mas não sabia se o momento seria aquele. E fiquei muito feliz, porque acho que vestir a camisa da seleção, mesmo nas categorias de base, é um sonho para todos. Foi um dos sonhos que já realizei.
E foste marcando golos, foste dando assistências, de forma que o teu contrato profissional surge também muito rápido, não é? Com 16, 17 anos, assinas o teu primeiro contrato profissional e logo com uma cláusula? Sim, sim.
Já elevada para um jovem jogador. Fui jogando pelas seleções de base, fui somando convocatórias e fui praticando um bom futebol, até que os dirigentes do São Paulo chamaram
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