Dragões #469 Dez 2025 | Page 65

FUTEBOL
DEZEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES
Rúben Neves
Manuel Serafim
Fernando Gomes
Francisco Conceição
18 ANOS e 8 MESES
19 ANOS e 2 MESES
19 ANOS e 3 MESES
19 ANOS e 5 MESES
jovem a atingir os 50 jogos foi também o exemplo máximo daquilo que pode ser um médio formado no FC Porto.
MARCAR UMA GERAÇÃO Antes de haver Estádio do Dragão, Champions em loop ou redes sociais a multiplicar repetições de golos, já Serafim fazia história de azul e branco. Nascido em Rio Tinto em 1943, o avançado de fibra e talento deu nas vistas muito cedo: em 1961, foi a grande figura da seleção nacional de juniores que se sagrou campeã da Europa, marcando os quatro golos de Portugal na final frente à Polónia. Depois de chegar à equipa principal do FC Porto, afirmou-se numa era em que o clube ainda não tinha a máquina vencedora que viria a construir a partir do final dos anos 70. Era precisamente por isso que os grandes talentos das Antas, como Serafim, eram alvos apetecíveis em Lisboa – e ele acabaria por seguir carreira também no Benfica e, mais tarde, na Académica, já em Coimbra. Mas os 50 jogos feitos tão cedo, aos 19 anos e dois meses, contam a história de um avançado que, num contexto menos favorável, foi capaz de se impor entre os adultos e marcar uma geração de portistas.
ERA O GOLO No caso de Fernando Gomes, os 50 jogos são apenas a primeira pedra de um monumento. Melhor marcador da história do FC Porto, com 355 golos, o duplo vencedor da Bota de Ouro transformou o clube e a sua própria posição em algo maior do que números: era golo, ponto. Chegou ao FC Porto adolescente, vindo de Rio Tinto para as captações no Campo da Constituição, e estreou-se aos 17 anos com dois golos à CUF. A partir daí, foi uma carreira construída sobre decisões em finais, clássicos e noites europeias: marcou na final da Taça de 1977, foi protagonista da reconquista do campeonato em 1977 / 78, chegou ao título europeu de 1987 e fez de Viena e Tóquio capítulos naturais da sua biografia, mesmo não tendo jogado na Áustria por lesão. Quando completou 50 jogos, aos 19 anos e três meses, já era muito mais do que uma promessa: era o rosto de um FC Porto que começava a abandonar definitivamente os complexos do passado.
MUDAR TUDO EM DOIS TOQUES O mais“ moderno” dos cinco, a seguir a Mora, é Francisco Conceição. Extremo de estatura reduzida, com um centro de
gravidade que o cola ao relvado e um umcontra-um quase insolente, cresceu entre o Sporting e o Padroense antes de se fixar no Olival. A estreia pela equipa principal do FC Porto trouxe-o diretamente para o radar dos adeptos: impacto imediato vindo do banco, penáltis arrancados, golos em momentos quentes e uma forma irreverente de jogar que lhe valeu rapidamente o rótulo de“ espalha brasas”. Chegar aos 50 jogos aos 19 anos e cinco meses confirmou aquilo que já se percebia nas camadas jovens: trata-se de um jogador feito para grandes palcos. A passagem pelo Ajax e a afirmação posterior na Juventus e na seleção nacional só reforçaram uma ideia que começou no Dragão: a de um extremo capaz de mudar jogos em dois toques, com coragem para arriscar onde os outros hesitam. Da irreverência de Mora ao cérebro de Neves, do perfume antigo de Serafim ao instinto assassino de Fernando Gomes, passando pela criatividade elétrica de Francisco Conceição, esta lista de“ miúdos dos 50 jogos” é, no fundo, um resumo acelerado daquilo que o FC Porto é quando acredita nos seus: um clube em que a idade conta menos do que a personalidade com que se entra em campo.
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