FUTEBOL
DEZEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES
OS CINCO E O SEGREDO
50DOS
Os números dizem que Rodrigo Mora é, aos 18 anos e seis meses, o mais jovem de sempre a somar 50 jogos pelo FC Porto. O contexto explica o resto: ao lado de Rúben Neves, Serafim, Fernando Gomes e Francisco Conceição, integra uma lista de cinco nomes que atravessa décadas de história e revela uma constante em comum – no universo portista, a idade é um detalhe quando o talento e a personalidade chegam primeiro.
Rodrigo Mora
18 ANOS e 6 MESES
TEXTO de ALBERTO BARBOSA
Há recordes que valem mais do que um número. Quando Rodrigo Mora entrou em campo frente ao Nice, na vitória por 3-0 para a Liga Europa, não somou apenas mais um jogo pelo FC Porto: tornou-se o futebolista mais jovem de sempre a atingir a marca dos 50 jogos de azul e branco. Aos 18 anos e seis meses, o camisola 86 ultrapassou Rúben Neves e empurrou para trás nomes que fazem parte do ADN azul e branco, como Serafim, Fernando Gomes e Francisco Conceição. A lista diz quase tudo sobre o clube que a produz. Para chegar a estes números tão cedo, não basta talento precoce, é preciso um contexto que confie nos jovens, que lhes dê espaço para errar, crescer e decidir. No FC Porto, essa confiança tem história.
O FENÓMENO MAIS RECENTE O mais novo da lista é também o mais recente fenómeno de entusiasmo. Médio ofensivo capaz de jogar como extremo ou atrás do ponta de lança, Rodrigo Mora é um produto típico da casa: começou a dar os primeiros toques em Custóias, numa escola Dragon Force, e veste de azul e branco desde 2016. Em 2021 / 22, destacouse nos sub-15 com 29 golos em 34 jogos, sinal de que havia ali algo de diferente. A estreia pela equipa principal, em 2023 / 24, coincidiu com um momento difícil do coletivo, mas Mora respondeu como se fosse mais velho e mais experiente: golos decisivos, personalidade com bola, coragem para assumir lances grandes em jogos grandes. Aos 18 anos já soma 50 jogos, já marcou em competições europeias e na liga e é visto como a joia mais brilhante da formação portista dos últimos anos, mesmo num contexto de maior concorrência direta com a chegada de Gabri Veiga e de um novo modelo com Francesco Farioli.
AURA DE PRODÍGIO Durante quase uma década, o recorde pertenceu a Rúben Neves. Médio defensivo de leitura rara, fez a estreia pela equipa principal aos 17 anos, marcou logo no primeiro jogo da liga e, pouco depois, tornou-se o português mais novo de sempre a jogar a Liga dos Campeões. Aos 18 anos e 221 dias, já era capitão do FC Porto na Champions, outro feito que ajudou a construir a aura de prodígio. Chegar aos 50 jogos tão cedo foi apenas mais uma etapa na ascensão de um jogador que parecia jogar dois ou três anos“ acima” da idade. Visão de jogo, passe longo milimétrico, inteligência posicional e uma serenidade quase desarmante com a bola nos pés fizeram de Rúben um dos produtos de formação mais completos a sair do Olival. A saída para o Wolverhampton e, mais tarde, para o Al-Hilal, não apagou a marca que deixou: durante anos, o mais
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