Dragões #469 Dez 2025 | Page 63

FUTEBOL
DEZEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES
Vitória ao milésimo. De joelhos sobre o relvado, Gabri Veiga festeja o primeiro golo frente ao Nice, o mais rápido da história do Dragão.
Arte e velocidade. A 26 de outubro de 1999, no Estádio das Antas, Deco apontou frente ao Molde o golo mais rápido do FC Porto na Liga dos Campeões

30:08

A Champions em dez segundos

Roy Makaay continua a ser o homem do gatilho mais rápido na Liga dos Campeões. A 7 de março de 2007, em Munique, o avançado neerlandês do Bayern precisou de apenas 10,12 segundos para marcar ao Real Madrid na segunda mão dos oitavos de final, estabelecendo o recorde absoluto da competição. O pontapé de saída pertenceu aos espanhóis, mas Roberto Carlos perdeu a bola ainda no meio-campo, permitindo que Hasan Salihamidžić arrancasse pela direita e cruzasse tenso para a área. Makaay apareceu a finalizar de primeira, com o pé direito, sem dar tempo a Iker Casillas para ajustar a posição. O Bayern acabaria por vencer por 2 – 1 e seguir em frente, mas foi aquele início vertiginoso que ficou gravado na memória da Europa. Atrás dele organiza-se o top-5 dos arranques mais explosivos da prova: Jonas, do Valencia, marcou aos 10,96 segundos frente ao Leverkusen em 2011;
Gilberto Silva, pelo Arsenal, feriu a defesa do PSV aos 20,07 segundos em 2002; Alessandro Del Piero, com a elegância habitual, fez o 1-0 para a Juventus em Old Trafford aos 20,12 segundos em 1997; e Clarence Seedorf, então no Milan, completa a lista com um remate aos 21,06 segundos contra o Schalke em 2005. Em quase três décadas de Liga dos Campeões, o relógio já premiou vários sprinters do golo, mas o primeiro lugar permanece intocável nas botas de Makaay. No universo portista, o capítulo dos golos-relâmpago na Liga dos Campeões tem a assinatura de Deco. A 26 de outubro de 1999, no Estádio das Antas, o FC Porto recebia o Molde na quinta jornada da fase de grupos, o empate bastava, desde que o Olympiacos não ganhasse em Madrid, e ainda restava uma última deslocação à Grécia para fechar as contas. Não foi preciso esperar tanto. Ao fim de 30,08 segundos, de acordo com o manual estatístico oficial da UEFA, o“ Mágico” já tinha colocado os Dragões em vantagem, apontando o golo mais rápido do FC Porto na Champions. O lance nasceu de um cruzamento de Drulovic na esquerda e terminou com um voo de Deco na área, a desviar de cabeça para o 1-0, naquela combinação de elegância e atrevimento que passou a ser marca da casa. Ainda antes da meia hora, o lusobrasileiro voltou a fazer balançar as redes, desta vez num livre direto irrepreensível, já a acusar dores na perna direita que forçariam a substituição logo a seguir. O FC Porto venceria por 3-1, com Jardel a assinar o terceiro, enquanto em Madrid o Real goleava o Olympiacos por 3-0. Deco, que já tinha decidido o jogo da primeira jornada na Noruega com um cabeceamento aos 89 minutos, fechava assim um enredo pessoal nesta campanha europeia: o homem dos golos decisivos, capaz de entrar na história tanto pela arte como pela velocidade.
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