Dragões #469 Dez 2025 | Page 58

FUTEBOL
DEZEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES
Boy. Tudo isto não prova nada por si só, mas desenha um padrão: cada porta que se abre parece encontrá-lo já do lado de dentro. Por isso, a frase de Hamlet serve apenas de moldura. O conteúdo é outro. Há algo de precioso no reino da Dinamarca e o FC Porto recebeu-o como se recebe uma peça importante: com palco, pressão e responsabilidade. A pergunta inicial do teatro volta, agora com resposta pronta.“ Who’ s there?” Está aí um jogador que não pede para ser visto. Obriga-nos a ver.
LAUDRUP E A DINAMÁQUINA Ao longo das últimas décadas, o troféu de Futebolista Dinamarquês do Ano foi pousando nas mãos de jogadores que ajudaram a escrever, em diferentes alfabetos, a história do futebol do país. E, se há um nome que funciona como cume e farol, é o de Michael Laudrup. Eleito em 1983, no ano em que deu o salto para a Juventus, Laudrup não foi apenas o melhor da Dinamarca, foi um símbolo de um tempo em que a seleção escandinava ganhou a alcunha de“ Dinamáquina” e passou a jogar com uma ousadia rara: a bola como argumento,
É nesse corredor de nomes grandes que Victor Froholdt entrou agora com a mesma naturalidade com que entra nos jogos: sem pedir licença ao tempo. Ao ser eleito Futebolista Dinamarquês do Ano 2025, passou a fazer parte de uma linhagem que atravessa gerações, estilos e contextos, mas tem um traço comum: a ideia de que o talento dinamarquês não é um acaso, é uma tradição.
O génio que faltou à festa. Futebolista
Dinamarquês do Ano em 1983, Michael
Laudrup brilhou na Juventus, no Barcelona e no Real Madrid, mas não esteve no Euro’ 92 que a Dinamarca venceu depois de entrar em rota de colisão com o selecionador Richard Møller Nielsen. Quem levantou o troféu foi o irmão, Brian Laudrup.
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