FUTEBOL
DEZEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES
Entre duelos e decisões, Victor Froholdt dá ao meio-campo o que ele pede: equilíbrio e lucidez. Um recado discreto para a Dinamarca na linguagem do Futebolista do Ano. a criatividade como identidade. O que se seguiu confirmou a dimensão. Entre clubes e seleções, Laudrup representou uma ideia de futebol que não envelhece: a do passe que abre uma cidade inteira e do gesto técnico que parece simples porque nasceu no momento certo. Depois vieram outros capítulos e outros protagonistas, cada um com a sua assinatura. Peter Schmeichel, guardaredes de lenda e presença impossível de ignorar, levou a Dinamarca ao topo com mãos que pareciam traves adicionais. A mesma geração viu brilhar Brian Laudrup, irmão de Michael, e ganhou corpo com nomes como Jan Mølby, Henrik Larsen ou Allan Nielsen, muitos deles a marcar uma era no futebol inglês. Nos anos 2000, o país voltou a encontrar novas caras para o prémio: Jon Dahl Tomasson, avançado de Champions e de instinto apurado, Daniel Agger, defesa com liderança e leitura, Jesper Grønkjær e Thomas Gravesen, espelhos de uma Dinamarca competitiva, migrante e sempre pronta a surpreender. Na era moderna, Christian Eriksen tornou-se um dos seus grandes embaixadores, um jogador de cabeça levantada e precisão cirúrgica, a confirmar que a Dinamarca continua a produzir futebolistas capazes de iluminar as melhores ligas.
É nesse corredor de nomes grandes que Victor Froholdt entrou agora com a mesma naturalidade com que entra nos jogos: sem pedir licença ao tempo. Ao ser eleito Futebolista Dinamarquês do Ano 2025, passou a fazer parte de uma linhagem que atravessa gerações, estilos e contextos, mas tem um traço comum: a ideia de que o talento dinamarquês não é um acaso, é uma tradição. E assim, a pergunta do teatro ganha outra camada.“ Who’ s there?” Está aí um jogador com o peso da história nos ombros e a leveza de quem joga como se o futuro já tivesse acontecido. No reino da Dinamarca, o precioso não se guarda em vitrines, põe-se a correr e a rolar.
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