Dragões #469 Dez 2025 | Seite 51

ENTRE LINHAS
DEZEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES
O ataque juntou gente na área e pôs a bola a pairar como uma promessa. Faltou o desfecho, sobrou a insistência. A Taça da Liga ficou pelo caminho, mas a imagem guarda o impulso de um FC Porto que tentou até ao último segundo.
A Europa voltou a ouvir o som certo no Dragão. Um golo para abrir a porta, outro para fechar a discussão, e a fotografia que fica: o futebol transformado em coreografia, pernas no ar e mãos prontas para o aplauso, como quem celebra não só um resultado, mas um caminho.
FC PORTO 2-1 MALMÖ FF
Em Tondela, o campeonato decidiu acelerar no regresso dos balenários. Depois de uma primeira parte que mais pareceu um rascunho, o FC Porto resolveu o jogo em 86 segundos e transformou um 0-0 pesado num 2-0 leve no marcador e enorme na tabela. Samu apareceu onde os avançados felizes costumam estar, na recarga a um cabeceamento de Kiwior, e William Gomes tratou de recuperar uma bola impossível e empurrá-la para dentro da baliza, como quem escreve em maiúsculas a mensagem da noite. À 13.ª jornada, a liderança tinha 12 vitórias, um empate, 27 golos marcados e três sofridos, com Sporting e Benfica a cinco e oito pontos de distância. A história, porém, não foi feita só de números. Farioli trocou praticamente toda a equipa, manteve Alan Varela como ponto de continuidade e viu um onze quase novo entrar forte, com Pepê a rasgar pela direita e Samu a testar os reflexos de Bernardo Fontes. Do outro lado, Siebatcheu lembrou que há sempre trabalho para Diogo Costa, e o VAR tratou de apagar o golo que Rodrigo Mora parecia ter assinado antes do intervalo. Froholdt resumiu a sensação no final, ao admitir que faltou intensidade na primeira parte. Na segunda, o FC Porto subiu um patamar, apertou a pressão e o Tondela sentiu o que é enfrentar um líder que sabe acelerar quando interessa. No meio da euforia controlada, o discurso do treinador manteve-se fiel ao traço. Para Farioli, não era tempo de calculadora, apenas de somar pontos, ganhar jogos e manter inegociáveis duas palavras que repete como mantra: personalidade e carácter. Há, nas suas próprias palavras, uma diferença entre fazer as coisas bem e fazê-las muito bem, e o FC Porto continua a olhar para si como uma obra por acabar. Samu, MVP de muitas noites recentes, olhou para o relvado de Tondela e disse a frase que as crónicas de títulos gostam de guardar:“ É nestes campos que se decidem campeonatos”. Froholdt, distinguido como melhor jogador em campo, devolveu a bola à equipa, lembrando que os prémios individuais contam pouco quando o objetivo é chegar a maio em primeiro. E no meio da alegria pelos três pontos houve espaço para um aperto bom no coração do balneário: a lesão de Luuk de Jong, o avançado que Samu e Deniz Gül tratam como professor. O golo dedicado ao neerlandês foi a forma de dizer que a época continua com ele na cabeça e no olhar, mesmo que fique fora do relvado. O resultado em Tondela valia mais do que uma distância alargada na frente, mostrava um grupo capaz de sofrer, de reagir e de resolver um jogo difícil em menos de um minuto e meio.
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