Dragões #469 Dez 2025 | Page 43

TEMA DE CAPA
DEZEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES
nome respeitado à escala europeia e mundial. O FC Porto deixou de ser visto apenas como símbolo de uma cidade e de uma região para se afirmar como referência internacional, sem nunca perder o sotaque do lugar de onde veio. A cidade cresceu com o clube, o clube cresceu com a cidade, e em muitos momentos foi Pinto da Costa a ligar estas duas dimensões – a popular e a global, a bairrista e a universal. O FC Porto tem mais de 132 anos de história e incontáveis protagonistas, mas há um nome que atravessa todas as conversas sobre grandeza, ambição e identidade: Jorge Nuno Pinto da Costa. Foi ele que liderou a viragem, que ousou disputar o centro do palco, que enfrentou poderes instalados, que construiu equipas lendárias e que deixou como herança um museu repleto de troféus e, sobretudo, uma forma de estar. Quando hoje se fala em“ ser Porto”, fala-se também de um modo de presidência que não se resigna, que reage à adversidade e que faz da vitória um hábito. É essa dimensão excecional que o Dragão de Honra atribuído procura sublinhar. Não é apenas a distinção máxima que o clube reserva aos seus, é também um gesto de gratidão coletiva a quem mudou o destino de gerações de portistas. O troféu fica no Museu, mas pertence simbolicamente a todos os que viveram estes 42 anos de cumplicidade com o Presidente dos Presidentes. Na gala, o texto que deu corpo a essa emoção foi do filho, Alexandre Pinto da Costa, que falou de saudade e de orgulho em partes iguais. Recordou a humildade do pai, tantas vezes a dizer que não queria homenagens, e revelou o lado mais íntimo de quem, no entanto, guardava com cuidado quase ritual cada distinção recebida, viesse ela de anónimos ou das instituições mais prestigiadas. Todas eram arrumadas no seu museu pessoal, tratadas com a mesma estima com que o FC Porto trata hoje os troféus expostos. Na mensagem lida em seu nome, Alexandre pediu que o momento não seja visto como um ponto final, mas como um dos muitos que hão de perpetuar“ a obra, o mérito, a capacidade e as conquistas” que fizeram de Pinto da Costa“ o maior presidente da história do futebol mundial”. Acima de tudo, sublinhou, foi a paixão, a dedicação e a entrega ao clube que permitiram construir aquele que descreve como“ o mais belo museu desportivo do mundo”, uma das obras sonhadas e concretizadas pelo próprio. O apelo estendeu-se a todos os que vestem, trabalham e vivem o FC Porto. Em cada vitória futura, funcionários, associados, atletas, treinadores, colaboradores e dirigentes são chamados a festejar lembrando a génese de um caminho de sucesso plantado pelo Presidente dos Presidentes. A mensagem é simples e exigente: manter o pensamento nele, preservar a memória da obra e não abdicar da determinação que ensinou todos a remar para o mesmo lado, como tantas vezes repetiu ao longo de quatro décadas. Alexandre deixou ainda uma ideia que ficará como síntese desta homenagem: que as vitórias do FC Porto sejam sempre vistas como continuidade de um sonho que se tornou grandioso, o sonho do FC Porto que Pinto da Costa deixou“ até à eternidade”. É essa herança – de troféus, de infraestruturas, de ambição e de identidade – que o Dragão de Ouro agora celebra. E é também essa herança que desafia o clube a estar à altura do seu maior presidente, sem nunca perder de vista a base sobre a qual tudo foi construído. No final, ecoa a conclusão que encerrou a mensagem do filho e que cabe também a todos os portistas: manter vivo o legado é a forma mais justa de agradecer o que foi feito. A melhor homenagem que o FC Porto pode prestar a Jorge Nuno Pinto da Costa é continuar a ser o clube que ele imaginou – competitivo, inconformado, fiel às raízes e apontado ao topo. O resto cabe à bola, aos títulos que hão de vir e a um grito que nunca envelhece: viva o FC Porto!
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