TEMA DE CAPA
DEZEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES
quando passa pelos pés certos.“ Never Enough”, balada que parece nunca chegar ao fim, sublinhou que, com certas figuras, fica sempre a sensação de que havia mais qualquer coisa para viver. E“ Nessun Dorma”, de Puccini, com o seu“ vincerò” a ecoar, soou como um adeus que é também promessa de vitória contínua. Nas imagens, Diogo Jota e o irmão André Silva levavam o Dragão pelo mundo, Jorge Costa com a braçadeira e cicatrizes de capitão, Jorge Nuno Pinto da Costa como fio condutor de uma era. Na plateia, Estela Costa, esposa de Jorge Costa, lavada em lágrimas, num momento em que toda a sala se levantou para aplaudir um homem que“ nunca procurou aplausos, mas que os mereceu todos”. O Dragão Recordação atribuído ao eterno número 2 parecia pequeno ao pé da dimensão do que ali se sentia: a confirmação de que“ sem querer, iluminava tudo à volta”. Fernando Daniel, portista assumido e repetente nestas galas, reforçou a ideia de que há canções que parecem ter sido escritas para este clube. De camisola 2 vestida, deu voz a“ Prometo” e“ Casa”, como se cantasse ao mesmo tempo para um balneário e para uma bancada. Quem conhece as letras percebeu as entrelinhas: promessas que se cumprem em campo, casa que é muito mais do que um estádio, pertença que não cabe numa pauta de quatro tempos. Como em qualquer grande espetáculo, também houve espaço para surpresa e riso. Luís de Matos trouxe a magia para o centro do palco e, entre truques,
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