Dragões #468 Nov 2025 | Page 63

ANDEBOL
NOVEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES
“ Qualquer jovem que vem para o FC Porto deseja chegar ao mais alto nível, à equipa principal. Na altura tínhamos conquistado o pleno das competições nacionais e, com apenas 17 anos, chegar a uma equipa destas, é um grande feito, a meu ver.”
Seguiu para o Gaia por empréstimo e lá ganhou muita experiência na primeira divisão, além de ter sido campeão de sub-20. Foi um passo importante? Sem dúvida. Foi a minha primeira experiência a tempo inteiro como sénior, fez-me evoluir muito. Em termos de sub-20, também foi superpositivo ter conseguido conquistar esse título. Foi uma etapa importante da minha carreira.
Teve depois uma curta experiência em Espanha antes de voltar. Essa nova realidade fê-lo crescer? Foi bastante importante para mim, cresci bastante. Foi a minha primeira e única experiência fora de Portugal, fez-me evoluir muito e guardo um carinho especial pelas pessoas de Cangas e pelos meus colegas de equipa.
Como viveu o regresso para jogar logo a Liga dos Campeões? Não esperava receber essa notícia. Fiquei muito satisfeito por contarem comigo para substituir os jogadores que na altura estavam lesionados e penso que contribuí positivamente com o meu desempenho dentro de campo. Foi muito bom.
A temporada passada foi de afirmação e terminou-a com 123 golos em 51 jogos. Sente-se cada vez mais à vontade em campo? Claro que sim. Sinto-me mais confortável com os meus colegas, com rotinas criadas, estou mais à vontade.
O nervosismo desapareceu? Por vezes passo por fases que não têm que ver com o nervosismo, mas com a confiança. O nervosismo está lá sempre, há jogos em que está mais presente e outros em que está menos, dependendo do adversário. Não por serem equipas melhores, mas por jogarmos em pavilhões mais complicados.
Como é que o ultrapassa? Tento focar-me no que tenho de fazer e preparo-me da melhor forma, comendo bem no dia anterior e no dia do jogo, descansando bem e, à medida que vai chegando a altura do jogo, vou ficando cada vez menos nervoso.
Ao longo da ainda curta carreira, tem-se destacado pela capacidade de finalização. Qual é o segredo? Tento fazer as coisas da melhor forma possível. A nível de finalização, não sinto que faça algo de extraordinário, apenas tenho os meus recursos que fui retirando de praticar todos os dias. Se vir o guarda-redes a vir mais acima, sei que posso meter uma rosca ou um chapéu, mas acho que tudo vem com a prática.
A rosca é um recurso precioso quando o guarda-redes se sai e tapa o ângulo. Já sai naturalmente? Na maioria das vezes, saime naturalmente.
Prova dessa frieza foi aquele golo crucial na Luz, na época passada. O que recorda desse momento especial? Recordo esse momento como muito especial e marcante na minha carreira aqui no FC Porto. Num pavilhão complicado e contra um adversário difícil, a jogar um clássico fora, guardo esse momento com carinho. Foi muito importante no meu percurso no FC Porto.
Ainda se lembra do que pensou naquele instante? Lembro-me que recebi a bola, vi ali uma oportunidade no segundo poste e rematei para lá com a minha máxima força.
Nesta época, além do óbvio destaque no ataque, tem também cumprido funções defensivas. É um aspeto em que trabalha? Sem dúvida. Em tempos, foi uma debilidade e cheguei a sair na transição defensiva em alguns jogos por opção do treinador, que achava que eu não estava ao nível dos meus colegas, e sentia que era uma oportunidade que estava a
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