Dragões #468 Nov 2025 | Page 62

ANDEBOL
NOVEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES

Ricardo Brandão

“ Sonho ser uma referência”

Desde defender penáltis até marcar livres de sete metros, do conforto de Aveiro à vida sozinho na Invicta, a ainda curta carreira de Ricardo Brandão foi escrita com desafios, dificuldades, aprendizagens e muito sucesso. Numa fase de cada vez maior afirmação no FC Porto, o Melhor Pivô do Europeu de sub-20 do ano passado confessa o desejo de“ chegar a uma final four europeia” e o sonho de“ ser uma referência para os mais novos”.
ENTREVISTA de PEDRO DINIZ

Antes de começar a jogar andebol, experimentou o futebol. Como foi essa experiência e que lições lhe trouxe? Foram bons tempos da minha juventude, tenho ainda amigos que partilharam o balneário comigo no futebol. Foi a minha primeira experiência em desportos coletivos, trouxe-me muitas aprendizagens sobre como trabalhar em equipa.

Como se deu essa mudança para o andebol? Jogávamos futebol de sete, eu era guarda-redes, e quando fizemos a transição para futebol de 11, o facto de a baliza ter aumentado e de o campo ser maior mexeu muito comigo. Quis experimentar algo que assentasse na utilização das mãos, sempre foi a minha ideia praticar alguma modalidade que envolvesse a utilização das mãos, e daí ter dado a oportunidade ao andebol. sozinho e, numa fase inicial, tinha alguns problemas em gerir o dinheiro mensal para as compras, mas rapidamente consegui fazer uma melhor gestão e criei autonomia com rotinas. Foi uma fase difícil inicial, mas depois consegui ultrapassar esses obstáculos.
O esforço compensou e, aos 17 anos, estreou-se como sénior. Qual foi a sensação? Foi um momento especial. Qualquer jovem que vem para o FC Porto deseja chegar ao mais alto nível, à equipa principal. Na altura tínhamos conquistado o pleno das competições nacionais e, com apenas 17 anos, chegar a uma equipa destas, é um grande feito, a meu ver.
Nove jogos e oito golos depois, sagrou-se campeão nacional. Significou muito? Sem dúvida que na altura foi muito especial ter sido campeão nacional, não com a mesma influência que tenho agora. Penso que será bem melhor consegui-lo tendo a influência que aporto à equipa atualmente.
Completou boa parte da formação no Alavarium, perto de casa. Foi difícil mudar a rotina e vir para o Porto? Foi um processo que não foi simples, mas que consegui simplificar de certa forma. Mudei-me para o Porto, vivia
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