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inquiridos reportaram um interesse significativo em relação a iniciativas nacionais e internacionais enquadráveis nesta temática, o que pode constituir uma boa base de trabalho para iniciativas a desenvolver por parte de associações profissionais. Boustany( 2014) vai mais longe e refere que os resultados franceses revelam a inadequação dos planos de estudo que formam os profissionais da informação bem como lacunas ao nível da formação contínua. Na sua opinião, a complexidade da lei em geral e as especificidades dos direitos de autor em particular exigem uma formação mais aprofundada.
De seguida, é com base nesta contextualização que iremos debruçar-nos sobre a realidade portuguesa, analisando os elementos reunidos através da aplicação do instrumento de recolha de dados definido no estudo de Todorova, et al.( 2014).
3. Enquadramento do estudo
Os resultados apresentados e analisados neste estudo enquadram-se numa pesquisa internacional liderada pela State University of Library Studies and Information Technologies, de Sófia, na Bulgária, intitulada Copyright policies of libraries and other cultural institutions, que foi financiada, entre 2012-2014, pelo Ministério da Educação, Juventude e Ciência daquele país. Numa primeira fase, o projeto incidiu na criação de uma bibliografia temática sobre direitos de autor, tendo sido compilados cerca de 3200 registos( Yankova, et al., 2013). Com base numa revisão bibliográfica deste material recolhido, e na segunda fase do projeto, foi criado um questionário destinado a recolher dados sobre as opiniões, perceções e experiências relacionadas com questões de direitos de autor junto de bibliotecários, arquivistas, museólogos e outros profissionais de instituições culturais de quatro países( Bulgária, Croácia, França e Turquia). O questionário Copyright literacy of specialists from libraries and other cultural institutions foi concebido para investigar comparativamente o grau de conhecimento e as competências dos profissionais da informação em diferentes países. Neste sentido, destina-se a averiguar em que medida os profissionais da informação estão familiarizados com a temática do direito de autor e direitos conexos; qual o seu conhecimento das políticas e das práticas de direito de autor no seu país e na instituição onde exercem a sua profissão; qual a sua opinião relativamente à inclusão de temáticas relacionadas com os direitos de autor na formação académica e na formação contínua; identificar aspetos a serem melhorados em relação às competências dos profissionais da informação no que respeita aos direitos de autor e comparar diferenças e semelhanças entre os diferentes países envolvidos no estudo( Todorova, et al., 2014).
Em termos de estrutura, este instrumento de recolha de dados está organizado em quatro partes. A primeira diz respeito a conhecimentos gerais e perceções dos direitos de autor e aspetos conexos no âmbito específico dos serviços de informação e outras instituições culturais, abrangendo dez questões. A segunda parte, incluindo uma só pergunta, incide na existência de políticas de autor a nível institucional. Os aspetos relevantes para a formação sobre questões de direto de autor e direitos conexos compõem a terceira parte do questionário, abarcando cinco perguntas. A
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