Direito e Informação na Sociedade em Rede: atas Direito e Informação na Sociedade em Rede: atas | Page 535

Partindo deste entendimento, alguns autores tem-se dedicado a averiguar qual o interesse e nível de conhecimento dos profissionais da informação relativamente à temática dos direitos de autor e direitos conexos. No entanto, esta é uma área de estudo que precisa de ser aprofundada pois a revisão da literatura revelou um número pouco significativo de publicações sobre a matéria. No contexto português, podemos referir dois estudos, um relativo às bibliotecas universitárias e outro às bibliotecas municipais (Dias, Fernández Molina e Borges, 2011; Dias, Fernández Molina e Borges, 2013). O trabalho de Dias, Fernández Molina e Borges, de 2011, abrange uma amostra de 52 profissionais de bibliotecas universitárias públicas e privadas e revela um nível médio, com tendência positiva, de conhecimentos sobre legislação referente aos direitos de autor e de sensibilização para a temática. Nestes resultados, poderemos destacar o facto de os inquiridos considerarem num grau bastante elevado, acima do nível 4 na escala de Likert, que as ações de sensiblização/formação sobre os direitos de autor são imprescindíveis para os utilizadores. Quando chamados a pronunciarem-se sobre aspetos particulares da Directiva 2001/29/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, relativa à harmonização de certos aspetos do direito de autor e dos direitos conexos na sociedade da informação, verifica-se que, na maioria das afirmações em relação às quais se deviam pronunciar, os respondentes optam tendencialmente por uma posição neutra, indicando nem concordo/nem discordo. Face a estes resultados os autores concluem que os profissionais que constituiram a amostra evidenciam parcos conhecimentos sobre a atual legislação do direito de autor, apesar de se mostrarem sensibilizados para a importância da harmonização das leis do direito de autor, no contexto da UE, no sentido de sustentar o desenvolvimento da sociedade da informação, o que inclui a importância da existência de um código europeu sobre o direito de autor. No estudo publicado em 2013, os mesmos autores basearam a sua análise nas respostas de uma amostra de 104 profissionais de bibliotecas municipais (Dias, Fernández Molina e Borges, 2013). Os resultados foram bastante semelhantes aos revelados pela pesquisa referida anteriormente, parecendo ter sido aplicado o mesmo questionário. As respostas situam-se essencialmente no ponto neutro da escala de Likert, não concordo/nem discordo, o que pode significar a inexistência de um opinião formada sobre a matéria, decorrente da falta de sensiblização dos profissionais da informação sobre este assunto, implicando um certo desconhecimento da temática, em especial quando abordados tópicos da Directiva 2001/29/CE. Segundo os autores, «a falta de conhecimentos sobre direitos de autor afeta negativamente o seu desempenho profissional e impede uma adequada conciliação entre os interesses das partes implicadas: os titulares dos direitos, por um lado, e os utilizadores, por outro» (Dias, Fernández Molina e Borges, 2013, p. 587). No contexto internacional, há que destacar a publicação do estudo comparativo das competências relacionadas com os direitos de autor por parte dos profissionais da informação conduzido por Todorova, et al. (2014), na Bulgária, Croácia, França e Turquia, e a análise parcelar dos resultados da mesma pesquisa realizada em França (Boustany, 2014). Genericamente, os dados recolhidos por Todorova, et al. (2014) evidenciaram um nível de familiaridade e de conhecimento, das matérias de direitos de autor e direitos conexos, pouco satisfatório sublinhando a necessidade de melhorias ao nível da formação inicial e da formação contínua. Ainda assim, os 523