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melhor os movimentos mais amplos de transformação na ciência que ocorrem de tempos em tempos. Muito embora Velho (2011) esteja interessada em entender como a política científica, tecnológica e de inovação variam de acordo com o conceito dominante de ciência em cada época, acreditamos que esse conceito também repercute no perfil dos pesquisadores pela maneira como ele é reproduzindo e expresso no conjunto das práticas de produção e de socialização de informações e conhecimentos. Com efeito, de um período que se estende do final da Segunda Guerra Mundial até este século XXI, Velho (2011) verifica quatro concepções distintas de ciência18, sendo que a última delas, em vigor, sustenta-se pela ideia de que a ciência está a serviço da sociedade, consistindo em um tipo de bem público que precisa envolver diferentes agentes sociais e, em razão disso, compartilhar com eles os produtos que seus agentes são capazes de gerar. No cenário global de mudanças que assistimos, encontramos correspondência entre a concepção vigente de ciência analisada por Velho (2011) e as questões que desafiam os pesquisadores quanto às atitudes e às habilidades exigidas na contemporaneidade. Nesse sentido, entendemos que as práticas científicas são afetadas duplamente, tanto pelas mudanças que lenta e progressivamente experimentam as sociedades quanto pelas transformações paradigmáticas que se processam no interior do campo científico. Mas como essas mudanças se apresentam mais precisamente aos pesquisadores hoje? Com o grande volume de informações e conhecimentos de diferente natureza circulando pelas redes digitais, bem como a oferta de ferramentas tecnológicas que ampliam a comunicação humana, o modelo do pesquisador tradicional, nascido com a ciência moderna e que vigorou até a primeira metade dos anos de 1980 vem se tornando cada vez mais obsoleto. Esse perfil mais tradicional pode ser reconhecido, entre outras coisas, pelo trabalho em ambiente equipado com recursos tecnológicos minimamente necessários e explorados. Na equipe que coordena, composta por pesquisadores mais jovens e estudantes em formação acadêmica, o outro tem mais a aprender e muito pouco a ensinar a ele. Para esse pesquisador, a produção do conhecimento está somente a cargo dos cientistas, excluindo desse processo os agentes não profissionais em ciência. Ladeado por uma coleção de livros e de periódicos impressos que se habituou a ler, ele segue analisando os dados que coleta de fontes documentais e humanas para responder questões de interesse próprio, preferencialmente sem muita interferência de outros pesquisadores, de indivíduos e dos grupos que estuda. O tema que o pesquisador mais tradicional investiga se mantém pouco variável na trajetória acadêmica dele, na medida em que busca tornar-se reconhecido no campo científico como um expert. De postura teórica e metodológica ortodoxa, os canais mais recorridos por ele para socializar a produção científica são os livros, as revistas impressas e os documentos de memória, frutos das reuniões científicas entre Na cronologia apresentada por Velho (2011), têm-se os seguintes períodos e concepções correspondentes de ciência: a) Do Pós-Guerra aos anos de 1960: ciência histórica e socialmente neutra, ciência universal; b) Dos anos de 1970 a 1980: ciência neutra, porém, controlada; c) Dos anos de 1980 a 1990: ciência socialmente construída, ciência relativista, Science Wars; e d) Século XXI: ciência moderadamente construtivista, ciência de estilos naciona