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pares. Em geral ele faz pesquisa sobre pessoas, posto que as vê como meras fontes de
informações, normalmente dirigindo-se a elas com suas próprias questões e interesses.
A comunicação com os pares e com as instituições do campo científico normalmente
envolve o uso de e-mails, telefonemas e mensagens instantâneas, isto quando dispõe
de telefone celular. Quando se vê diante de recursos informacionais eletrônicos e
digitais, a atitude mais imediata do pesquisador tradicional é justificar o valor e a
importância dos recursos analógicos para ele. Embora pareça pouco improvável, esse
modelo de pesquisador existe pari passo com outro perfil de pesquisador emergente, e
segue resistindo às mudanças em curso.
O perfil de um pesquisador dinâmico, empreendedor e político emerge com a
ciência pós-moderna, ganhando mais força a partir da segunda metade dos anos de
1990. As atitudes e as habilidades dele contrastam com a do pesquisador tradicional.
Assim, o modelo que contemplamos em um horizonte de mudança nas atitudes e nas
habilidades se desenvolve de maneira mais aberta às novidades, permitindo a esse
perfil arriscar-se na investigação de novos temas, experimentando novas abordagens
teóricas e metodológicas. Para ele, as práticas de trabalho colaborativo são valorizadas
pelas trocas informacionais, cognitivas e de experiência que propiciam. Os
deslocamentos realizados no mundo real e os contatos mantidos com pessoas de
diferentes modos de ser, sentir, pensar e de viver ajudam esse modelo emergente de
pesquisador a entender que, ao lado dele, há uma ampla diversidade de agentes que
também produzem conhecimento. Ao investigar indivíduos e grupos humanos, a
pesquisa é conduzida com pessoas, razão pela qual dá atenção aos valores éticos,
preocupando-se com o livre consentimento informado e com a repartição dos
benefícios.
As saídas do gabinete para o mundo real são frequentes e desejáveis ao novo
perfil de pesquisador para a negociação com os agentes e com as instituições que se
relacionam com a pesquisa que coordena e/ou executa. Para ele, a Internet, as mídias
sociais e as ferramentas tecnológicas de comunicação e de colaboração remota estão
bem incorporadas à rotina de trabalho. Além dos livros e das revistas impressas, as
publicações eletrônicas e digitais, as mídias sociais e as videoconferências também
fazem parte das atividades de socialização dos produtos elaborados por esse perfil de
pesquisador. Diferentemente do pesquisador tradicional, para ele as Tecnologias de
Informação e Comunicação (TIC) não causam insegurança, mas, ao contrário,
despertam o interesse de se apropriar delas para o melhor uso na pesquisa.
No contexto desta discussão que tecemos sobre o perfil do pesquisador,
lembramos o que nos dizem dois autores das Ciências Sociais, sobretudo porque nos
fornecem ideias muito apropriadas ao debate. Um deles é Boaventura de Sousa Santos
(2013), que considera Michel Foucault um exemplo emblemático de pesquisador da
ciência pós-moderna, tida como aquela que se aproxima do sujeito, incorpora a
autobiografia do pesquisador e valoriza as formas de conhecimento comum/prático.
O traço pós-moderno que Santos (2013) reconhece em Foucault brota da capacidade
do filósofo francês de mobilizar competências transdisciplinares (História, Psicologia,
Ciência Política, Sociologia) em sua produção intelectual imaginativa e personalizada.
Nessa direção, vemos em Santos (2013) que o perfil do novo pesquisador se delineia
pelas atitudes e pelas habilidades de superação de antigas barreiras disciplinares, da
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