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Internet e mídias digitais. Por outro lado, mesmo que plataformas tecnológicas como blogs, Facebook, Twitter e outras tenham amplo alcance social, elas ainda pouco ou nada representam para o reconhecimento dos pesquisadores no campo científico, de maneira que as ferramentas da Web 2.0 seguem vistas pela comunidade científica como simples recursos de publicidade (Torres, 2016), portanto, sem que sejam mais bem exploradas nas relações com a sociedade em seu potencial informativo, comunicativo, colaborativo e participativo. Ao desestimular a publicação dos resultados das pesquisas em revistas científicas não indexadas em grandes bases de dados comerciais e internacionais, ou que fujam ao conceito Qualis17, o campo científico desdobra a socialização de informações e de conhecimentos em outras questões sobre as quais precisamos pensar. Vemos a primeira dessas questões nos entraves colocados à criação, à consolidação e à qualidade das revistas científicas recém-criadas, em que pese todo movimento pelo acesso aberto. Isso significa dizer que a pressão do campo científico pela publicação em revistas de impacto esvazia as revistas recém-criadas das contribuições de pesquisadores consagrados, impedindo-as de crescer em visibilidade e importância. Na verdade, esvaziam-nas em parte, porque ainda que estejam fora dos circuitos de publicação das revistas de alta qualidade, países da América Latina e Caribe vêm investindo em metodologias e ferramentas para dar visibilidade às pesquisas que produzem. Uma resposta nesse sentido é dada por iniciativas como a do projeto Scientific Electronic Library Online (SciELO), que reúne revistas científicas editadas na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, México, Paraguai e Peru, incluindo também nesse rol países da Europa, precisamente Portugal e Espanha. Uma estratégia que corre em paralelo aos projetos de editores internacionais do Norte e visibiliza a socialização maior das pesquisas produzidas no Sul Global. E sobre essa iniciativa, há que se reconhecer que algumas das revistas disponíveis no projeto SciELO inovam em seu caráter multilíngue ao divulgarem artigos em inglês, espanhol, português e francês. Assim, promovendo no campo científico um diálogo intercultural entre pesquisadores que escapa ao protocolo linguístico anglófono adotado no campo científico. Outra dificuldade tem a ver com a negligência científica e editorial para as questões locais, uma vez que as grandes revistas demandam, sobretudo, por contribuições originais e de interesse mais geral para a ciência. Os editores das revistas de impacto deixam claro que as realidades históricas, sociais e culturais locais não têm relevância para eles, o que por si só justifica a recusa de publicar artigos do gênero, vistos com chances reduzidas de expressiva citação internacional. Nessa perspectiva emerge uma espécie de regra informal bem aceita de que os trabalhos com enfoque local são mais apropriados para publicação em revistas de menor prestígio. Pelo que O conceito Qualis é empregado na avaliação das revistas científicas editadas no Brasil que recebem a produção dos programas de pós-graduação (mestrado e doutorado), e segue metodologia desenvolvida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). O conceito atribuído varia entre A1 (o mais alto), A2, B1, B2, B3, B4, B5 e C (o mais baixo). É possível dizer que o Qualis tem obtido relativo reconhecimento internacional na medida em que outros países têm submetido suas revistas para avaliação nesse sistema, sobretudo países falantes do português e do espanhol. Sobre o Qualis, ver: http://www.capes.gov.br/avaliacao/instrumentos-de-apoio/classificacao-da-producao-intelectual. 17 488