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A iniciativa de aprendizado formal diz respeito à busca dos pesquisadores por
cursos de qualificação dentro e fora das universidades, de cursos presenciais e a
distância que sejam capazes de ajudá-los no desenvolvimento das competências
operacionais solicitadas no momento da interface com as redes e com as tecnologias
digitais. O autoaprendizado, por sua vez, resulta da iniciativa pessoal orientada para a
manipulação curiosa e livre das ferramentas digitais em sua variabilidade, produzindo
um tipo de conhecimento que se funda nas experiências de acertos e de erros tão
comuns aos indivíduos considerados nativos digitais (Jones e Shao, 2011; Graça e
Oliveira; 2014). No caso do aprendizado colaborativo, as competências operacionais
são construídas pelas interações entre pessoas com domínio diferenciado de
conhecimento sobre o uso das ferramentas digitais, demando outras atitudes e
habilidades, notadamente sociais, comunicativas e afetivas, a fim de que pesquisadores
e colaboradores possam vivenciar trocas de informações e de conhecimentos de
modo mais bem-sucedido.
No âmbito da socialização dos produtos da pesquisa o desafio consiste em
pensarmos para além da revista científica tradicional, e mesmo para além de versão
digital. De fato, a revista científica segue como um suporte de informação e de
conhecimento muito caro aos agentes do campo científico como um todo.
Entretanto, ela vem sendo afetada pelas tecnologias digitais e pelo imperativo do
produtivismo acadêmico (Meadows, 1999; Patalano, 2005). Muito embora as
ferramentas para publicação eletrônica, como o Open Journal Systems (OJS), estejam se
disseminando desde a Declaração de Budapeste15, em 2002, que lançou as bases do
movimento do acesso aberto, as revistas científicas digitais seguem sem grandes
mudanças estruturais e funcionais, restringindo-se à apresentação de material textual,
tal como pode ser verificado naquelas editadas no Sistema Eletrônico de Editoração
de Revistas (SEER), a versão do OJS traduzida e adaptada no Brasil pelo Instituto
Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) (Patalano, 2005, Sistema
2016)16. As revistas nacionais disponíveis nessa plataforma ainda não incorporam
recursos da hipermídia que permitiriam associar arquivos de som, vídeos e/ou
imagens interativas aos artigos, muito menos a atualização/correção/ampliação
autoral de conteúdos e a colaboração pós-publicação com licenças Creative Commons.
Se nos detivermos apenas ao texto, notaremos que as revistas digitais nessa plataforma
sequer exploram as possibilidades de leitura não linear viabilizadas pela World Wide
Web, tal como defendiam os tecnotimistas dos anos de 1990 sobre o uso do
hipertexto.
Se publicar é atividade basilar na disputa dos pesquisadores por posição e por
reconhecimento no campo científico, com as tecnologias digitais de publicação essa
atividade tende a se intensificar, sobretudo com o crescente número de revistas. Ainda
assim, as forças do campo são seletivas, e pressionam para que o produto das
pesquisas seja canalizado para as revistas de impacto, editadas em língua inglesa e
produzidas em países como EUA, Inglaterra, Alemanha e França. Todavia, essa
pressão para a publicação em revistas internacionais e de impacto acaba por afetar
negativamente outras formas de socialização de informações e de conhecimentos via
Ver: http://www.budapestopenaccessinitiative.org/boai-10-translations/portuguese-brazilian-translation.
Verificamos que mais de 1.170 revistas científicas brasileiras são editadas e geridas pelo SEER. Ver:
http://seer.ibict.br/index.php?option=com_mtree&task=listcats&cat_id=122&Itemid=109.
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