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CEP. Outra dificuldade observada refere-se às tensões no tempo, precisamente entre o tempo para o início da pesquisa e o tempo para as deliberações desse colegiado. Entendemos que isso se traduz em uma incompatibilidade entre cronogramas que são previamente planejados, colocando de um lado o tempo previsto pelo pesquisador para a produção do conhecimento científico, sujeito a adiamentos nos casos de pareceres que sugerem ajustes, ou mesmo o indeferimento. E, do outro lado, tem-se o calendário das reuniões de trabalho do CEP, exigindo que as propostas sejam submetidas em tempo hábil para apreciação. Nesse ponto, se pensarmos nos alunos de cursos de mestrado e de doutorado, com prazos de pesquisas que não devem ultrapassar o período de formação, o fator tempo torna-se ainda mais crítico na relação pesquisador/comitê, ameaçando, assim, a qualidade das dissertações e das teses feitas às pressas. As críticas à Resolução nº 466/2012 – CNS e aos CEPs instituídos nas universidades e nos institutos de pesquisa no Brasil também ganham força pelas particularidades da produção de informações e de conhecimentos no contexto das Ciências Humanas, Sociais e Aplicações. Forjada no campo da saúde, portanto, na condução de estudos clínicos, essa Resolução tem sido imposta como um modelo generalizado para as pesquisas de diferentes áreas, inclusive para aquelas nas quais as práticas investigativas são realizadas segundo um rito próprio na maneira de olhar, perceber, abordar e de tratar os seres humanos. Isso tem desencadeado certa tensão metodológica, epistemológica e mesmo política entre as Ciências Humanas, Sociais e Aplicações e as Ciências da Saúde. Fato emblemático dessa realidade foi a decisão política de antropólogos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) quanto à renúncia ao CEP dessa instituição (Antropólogos, 2014), na medida em que se sentiram, segundo eles, sem espaço para o diálogo interdisciplinar e mergulhados em um tratamento burocrático dado aos projetos de pesquisa nas áreas concernentes a eles. Enfim, é a Resolução em questão acendendo antigos debates sobre o modo como campos distintos produzem informações e conhecimentos, mas em novos contextos institucionais, políticos e normativos. E o que dizer da recomendação da Resolução em tela sobre o TCLE como um documento escrito? Nas pesquisas que envolvem populações tradicionais ou indivíduos iletrados, seja em ambiente rural ou urbano, esse instrumento se revela pouco útil e nebuloso para aqueles a quem deveria proteger de interesses científicos inescrupulosos. Especialmente quando esses indivíduos ou grupos detêm conhecimentos sobre o uso medicinal de recursos florísticos, minerais ou faunísticos, ou ocupam terras de interesse para o Estado e para o capital, a exemplo do que já mencionamos sobre a luta dos En