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a sessão e só serem lidos ante a audiência pública29; ofensa à intimidade e à privacidade das pessoas que participam do processo30; a perda da função contramajoritária, já que é muito mais fácil reder-se publicamente ao argumento da maioria e da pressão popular do que rebatê-los de fora individual31, além da vaidade pessoal dos Ministros refletindo nos seus votos. Há pesquisas que demonstram que no Supremo Tribunal Federal, nos casos de grande repercussão pública, mesmo quando há unanimidade no julgamento todos os ministros fazem questão de apresentar seu entendimento (Rodriguez, 2013) e o fazem longamente em suas falas. O risco de má-compreensão do posicionamento da corte é apontado32, junto com o desperdício de esforços dos juízes, como prejuízos das seriatim decisions, e estes fatores são maximizados pela ampla publicidade certamente. O televisionamento de posicionamentos por vezes antagônicos e discussões técnicas para o público sem qualquer formação jurídica, e com grande taxa de analfabetismo funcional, certamente leva a incompreensão do que foi ali debatido. Por sua vez, com a transmissão televisiva e a vaidade pessoal dos julgadores, aumentam o esforço individual de cada ministro para proferir um voto mais apurado, mais erudito e mais longo, um voto ganhador e quanto maior a audiência, certamente maior a preocupação com sua imagem pública (Silva, 2013). A publicidade extrema trazida como televisionamento traz também maior clareza no processo decisório o que torna mais difícil a realização de “conchavos” para proteção de interesses escusos. Da mesma forma, permite o aprimoramento do direito, já que historicamente constata-se que muito dos posicionamentos firmado nas Cortes um dia foram meros votos divergentes. Em verdade, trazer a público opiniões distintas permite que o encorajamento do discurso cívico democrático, alimentando a sociedade com argumentos para refletir sobre a matéria e até mesmo se apoiar para planejar um contra-ataque político ou legal para mudança de posicionamento33. Em entrevistas realizadas com os Ministros do STF, Silva (2015) conclui que o fato de levarem os votos já prontos é fator decisivo na irrelevância que é dada do debate, já que se julgam comprometidos com o posicionamentos pré produzidos e resistem a uma nova reflexão. 30 “toda precaução deve ser tomada contra a exasperação do princípio da publicidade (...). Os modernos canais de comunicação de massa podem representar um perigo tão grande como o próprio segredo. As audiências televisionadas têm provocado em vários países profundas manifestações de protesto. Não só os juízes são perturbados por uma curiosidade malsã, como as próprias partes e as testemunhas vêem-se submetidas a excessos de publicidade que infringem seu direito à intimidade, além de conduzirem à distorção do próprio funcionamento da Justiça, através de pressões impostas a todos os figurantes do drama judicial. Publicidade, como garantia política – cuja finalidade é o controle da opinião pública nos serviços da justiça – não pode ser confundida como o sensacionalismo que afronta a dignidade humana. Cabe a técnica legislativa encontrar o justo equilíbrio e dar ao problema a solução mais consentânea em face da experiência e dos costumes de cada povo” (Cintra, A. C. A., Grinover, A. P., Dinamarco, C. R. 2008, p. 76-77). 31 “un giudice costituzionale afflitto da tentativi di delegittimazione ab externo è meno portato ad aprirsi, perché il parlare ad una sola voce si rivela, in questi casi, un’arma insostituibile di rafforzamento dell’autorevolezza delle decisioni assunte” (Passaglia, 2013). 32 “Seriatim decisions are doubly wasteful: firstly, because of the duplication of effort when the judges after the first invest time in reasons that add little or nothing to the initial statement, and secondly, because the prevent the Court form speaking with a clear voice to delever a focused message, leaving room both for genuine misunderstanding and for deliberative cultivation of the resulting ambiguities” (Mccormick, 2000, p. 19). 33 “By contrast, dissent allows lower courts, lawyers, and politicians, to measure the weight of the opinion and to plan a political or legal counterattack. Dissents lead to ambiguity and hope of change, both of which are fertile ground for legal fights and more lawyers. Litigation strategy often depends on the strength of precedents or the voting records of the current occupants of the Court. Without such possibilities for counterattack, the opinion would carry more weight, but the integrity of law and the Court might well come 29 464