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e exigem a identificação dos dados acerca do conjunto documental a ser preservado, incluindo sua forma documental, as restrições tecnológicas, importância cultural e funcional, os dados acerca dos requisitos do sistema de preservação digital, além da identificação e adoção de parâmetros para as necessidades ou restrições de políticas de preservação dos documentos arquivísticos digitais (Duranti, Suderman e Todd, 2008, p. 10). Já o modelo OAIS, que foi descrito na norma ISO 14.721:2003 e de que trata a norma ABNT NBR 15.472:2007 [...] aborda um conjunto completo de funções arquivísticas para a preservação da informação, incluindo admissão, arquivamento, gerenciamento de dados, acesso e dissem inação. Aborda também a migração de informação digital para novas mídias e formatos. os modelos de dados usados para representar a informação, o papei do software na preservação da informação e o intercâmbio de informação digital entre arquivos (ABNT, 2007, p. vi). Percebe-se, portanto, que, enquanto o OAIS é um modelo que reproduz para o universo digital os processos arquivísticos desenvolvidos na fase de destinação de um programa de gestão documental, o projeto InterPARES propõe um conjunto de práticas que envolve, entre outras análises, a identificação do contexto de proveniência, do contexto jurídico-administrativo, documental e tecnológico da produção do documento, bem como a análise diplomática. Feitas essas pequenas considerações sobre a preservação digital, menciona-se que as mesmas são invocadas para auxílio da compreensão dos desafios que envolvem a preservação das informações digitais que ultrapassam, em muito, uma política de migração de mídias ou de estratégias de backup, mais usuais dentro da realidade da tecnologia da informação. Na realidade, o que é preciso frisar é que a preservação digital requer não apenas a transposição de práticas arquivísticas realizadas nos registros em papel para o suporte digital, com adequações que se compatibilizem à mudança do suporte, da grafia e da linguagem, conforme tão bem ressaltado por Delmas (2010), mas necessita de estruturada descrição arquivística, que deve ser utilizada como base mais importante de autenticidade dos documentos, assim como a determinação da entidade a ser preservada, suas fronteiras e características (Duranti, 2005, p. 14). 6. Segurança, acesso e preservação da informação digital Ao longo deste artigo, houve a preocupação em contextualizar a produção de documentos na realidade atual, enfatizando-se que o uso de ferramentas tecnológicas exigem o enfrentamento de desafios que, embora não sejam desconhecidos para a arquivística, possuem características que não são familiares aos profissionais da informação e que demandam práticas e procedimentos típicos do universo digital. Esclareceu-se, também, que o Judiciário nacional, por haver optado pela produção maciça de seus documentos em codificação binária, já estabeleceu diretrizes básicas que devem ser seguidas por seus órgãos. Esses parâmetros envolvem a segurança, o 429