Direito e Informação na Sociedade em Rede: atas Direito e Informação na Sociedade em Rede: atas | Page 433

busca por mecanismos de controle para a produção dos documentos ainda na fase corrente, como também a realização de trabalho conjunto com os profissionais de tecnologia da informação, que são não apenas responsáveis pela construção e manutenção dos sistemas como, atualmente, custodiadores das informações produzidas e armazenadas em banco de dados e gravadas em mídias variadas. Longe de pretender exaurir o tema, a proposta do presente trabalho é apresentar as primeiras iniciativas de regulamentação do Judiciário brasileiro visando garantir a segurança, o acesso e a manutenção da informação por este produzida e recebida no decorrer de suas atividades. Além disso, objetiva-se destacar os desafios para sua implementação e sugerir alternativas para garantir o acesso seguro das informações públicas e a proteção daquelas que possuam restrição, não apenas durante sua tramitação, mas ao longo do tempo em que estas necessitem ser guardadas. Para tanto, este trabalho se inicia esclarecendo as normas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça – CNJ1 que afetam a segurança, o acesso e a preservação da informação no âmbito do Judiciário nacional. A seguir, identifica conceitos básicos sobre segurança da informação e governança da segurança da informação, indispensáveis para construção da linha argumentativa do trabalho. Depois, menciona-se as inovações trazidas pela LAI, que imprimem novos desafios para o Judiciário e discorre-se, rapidamente, sobre aspectos relativos à necessidade e dificuldade de se preservar as informações produzidas em formato binário. Como núcleo central entre as três áreas e como iniciativa fundamental para que se possa efetivamente garantir a segurança, o acesso e a preservação das informações produzidas ou recebidas pelo Judiciário nacional, o trabalho aponta para a importância em se proceder à classificação da informação, a partir da avaliação de seu valor, requisitos legais, sensibilidade e criticidade. Lembra-se que a classificação da informação constitui o cerne para o tratamento dos documentos e que a mudança do suporte não prescinde do uso de uma linguagem documentária para a gestão dos documentos. Espera-se, com isso, evidenciar que, para que se possa cumprir a determinação do CNJ de se garantir a segurança, o acesso e a manutenção dos documentos eletrônicos, é preciso estabelecer e promover uma política de classificação da informação, na qual se observe não apenas os critérios de temporalidade já estabelecidos pelo CNJ, mas também a sensibilidade das informações, bem como a sua criticidade. O CNJ foi criado pela Emenda Constitucional n0 45, de 30 de dezembro de 2004, com a finalidade de exercer a função de controle externo do Judiciário. De uma forma geral, o CNJ possui dois tipos de atribuições: a de planejamento estratégico e gestão administrativa dos tribunais e a de controle disciplinar e correcional das atividades dos magistrados. 1 421