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(Atienza, 1979; Atienza, 1981; Barité e Guimarães, 1999; Campestrini, 1994; França,
1977; Guimarães, 1994; Guimarães, 2004).
1. O conceito de informação na Ciência da Informação
A Ciência da Informação (CI), definida por Borko (1968) como “disciplina que
investiga as propriedades e o comportamento da informação, as forças que governam
seus fluxos, e os significados do processamento da informação objetivando à sua
melhor acessibilidade e a usabilidade” (p. 3) tem seu fazer centrado em um conjunto
de processos relativos ao espectro que se estabelece entre a produção, a organização
e o uso da informação registrada de tal modo que essa informação possa ter garantida
“sua permanência no tempo e portabilidade no espaço” (Smit e Barreto, 2002, p. 19).
Abrangendo saberes e fazeres específicos relativos à informação registrada, a
CI, enquanto área de estudos, é composta por três subáreas: a Arquivologia, a
Biblioteconomia e da Museologia. Sendo assim, a CI constitui uma área
interdisciplinar que utiliza os conhecimentos de diversos campos relacionados
(Linguística, Ciência da Computação, Administração, Estatística, Direito etc.) para
analisar o seu objeto de estudo: a informação registrada.
Nesse contexto, Guimarães (2008) elenca algumas balizas que caracterizam a
disciplinaridade da CI: o objeto é a informação registrada; o objetivo é a geração de
conhecimento; os processos são a geração (produção), organização e uso da
informação registrada; os produtos são a informação documentária; e os
instrumentos, via de regra exteriorizados em códigos, normas, sistemas de
organziação etc.
Assim, tem-se a informação registrada como objeto de estudos da área, pois
somente com ela é que é possível apoderar-se de forma segura de um conhecimento
para que, após internalizado por um indivíduo e socializado com os demais, seja
possível obter matéria-prima para a construção de um novo conhecimento.
Diretamente ligada à linguagem (por meio da qual se exterioriza) e à
comunicação (que propicia a sua socialização), a informação constitui pressuposto
fundamental para a construção do conhecimento, seja individual, seja social. Nesse
sentido, Cunha e Cavalcanti (2008) a ela se referem como “um conhecimento que
pode ser necessário a uma decisão” (p. 201) e, para Le Coadic (1996), a informação
constitui um conhecimento inscrito que se utiliza de sistemas de signos (a linguagem)
gravados em um suporte de modo a comportar um elemento de sentido. Em outras
palavras, podemos dizer que a informação é um conhecimento transmitido a um ser
consciente através de uma mensagem registrada, de modo a considerá-la, no âmbito
da CI, como parte integrante de um processo comunicativo que pressupõe a existência
um fluxo helicoidal de produção, organização e uso (Guimarães, 2008).
Nesse sentido, o conhecimento é o objetivo pretendido pela informação, de
modo que é inútil a informação sobre algo que já conhecemos (Rapoport, 1970). Le
Coadic (1996) explica que a informação se transforma em “desinformação quando o
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