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4. Perspectivas da gestão da informação eletronica num viés discursivo
Quando falamos de uma gestão da informação eletronica a partir de um
referencial na teoria discursiva, mister se faz compreendermos os pressupostos desta
teoria discursiva para estabelecermos os parâmetros a partir dos quais se dá a
discussão acerca da gestão do conhecimento e da informação.
E um primeiro aspecto que surge deste intento de caracterização é a constatação
da preocupação crítica com vistas à construção de uma teoria da sociedade voltada
para a promoção da justiça, da democracia, da solidariedade e da cidadania ativa e
cosmopolita.
(...) a primeira tarefa do teórico crítico é justamente a de produzir um diagnóstico do tempo
presente, a partir do qual se torna possível discernir tendências do desenvolvimento
histórico que permitam a formulação de prognósticos capazes de orientar tanto a própria
teoria como também a prática transformadora (Nobre, 2001, p. 22).
Outro aspecto importante para a gestão da informação eletrônica nas
instituições é que ela seja compreendida e conduzida não apenas por peritos e
técnicos, mas se torne democratizada, enquanto um novo modo de produção e
organização de parte importante da vida das pessoas quando insertas em instituições.
Daí a base democrática na qual deve se assentar a gestão da informação.
No âmbito de uma democracia participativa, a opinião pública tem muitas funções a
desempenhar. Nos respectivos meios de comunicação – desde a conversa de bar,
passando pela imprensa escrita, falada e televisionada, até as ciências, simpósios e
academias especializadas, sem falar nas iniciativas populares –, a opinião pública não
apenas é um fórum em que se podem exprimir interesses e opiniões, mas também uma
arena em que se luta por influência e poder. Outrossim, é uma instância crítica, perante
a qual a política inteira, inclusive a jurisprudência, e sobretudo uma jurisprudência
constitucional, deverá se justificar (Höffe, 2005, p. 132).
Neste contexto, o papel dos técnicos e especialistas é fundamental, em termos
pedagógicos, à medida que devem contribuir para que a população compreenda as
implicações e a amplitude da transformação da vida com a gradativa transferência de
informações para o meio eletrônico.
Dessa compreensão depende tanto a eficiência e eficácia da funcionalidade dos
sistemas de informação eletrônica, quanto a orientação emancipatória e realizadora de
cidadania, de inclusão social, de igualdade, de integração que preserva as
multiculturalidades e de justiça que estes sistemas podem vir a promover.
Em se tratando de sociedades multiculturais, as exigências de reconhecimento devem
considerar a presença de referências culturais alternativas que se posicionam umas em
relação às outras pretendendo a mesma legitimidade. A condição de igualdade
pretendida nas democracias atuais depende da validação de inúmeras formas de
diferenciação pessoal, evitando, ao mesmo tempo, que delas decorram discriminações
ou quaisquer mecanismos sociais de inferiorização (Poker, 2008, p. 65-66).
Alguém poderá, com base na facticidade contempor6anea, dizer o que já foi dito
a Immanuel Kant ou mesmo a Jürgen Habermas, de que isso é bonito na teoria, mas
inviável na prática.
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