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percepção, por parte do cidadão usuário do sistema, de satisfação plena de suas
demandas. Isso porque o sistema assume uma mecanicidade que afasta os rostos e
distancia a pessoa do usuário da pessoa de quem o atende, gerando um abalo de
confiança nos sistemas peritos.
Por sistemas peritos quero me referir a sistemas de excelência técnica ou competência
profissional que organizam grandes áreas dos ambientes material e social em que
vivemos hoje. A maioria das pessoas leigas consulta "profissionais" – advogados,
arquitetos, médicos etc. –, apenas de modo periódico ou irregular. Mas os sistemas nos
quais está integrado o conhecimento dos peritos influencia muitos aspectos do que
fazemos de uma maneira contínua. Ao estar simplesmente em casa, estou envolvido
num sistema perito, ou numa série de tais sistemas, nos quais deposito minha confiança.
Não tenho nenhum medo específico de subir as escadas da moradia, mesmo
considerando que sei que em princípio a estrutura pode desabar. Conheço muito pouco
os códigos de conhecimento usados pelo arquiteto e pelo construtor no projeto e
construção da casa, mas não obstante tenho "fé" no que eles fizeram. Minha "fé" não é
tanto neles, embora eu tenha que confiar em sua competência, como na autenticidade
do conhecimento perito que eles aplicam – algo que não posso, em geral, conferir
exaustivamente por mim mesmo (Giddens, 1991, p. 30).
Ainda persistem muitos desafios à gestão da informação eletrônica, dada a
complexidade dos cenários contemporâneos. E alguns destes desafios têm razão de
ser em questões não tematizadas ou equalizadas quando da discussão acerca da gestão
da informação. Analisemos, pois, alguns destes aspectos que nos parecem carentes do
devido enfrentamento.
3. Desafios à gestão da informação eletronica em cenários complexos
A sociedade contemporânea se configura por aquilo que Max Weber sinaliza
como sociedades complexas, posto coexistirem nela diferentes concepções de bem
viver e valores presentes, partilhados por grupos inseridos na sociedade e que muitas
vezes rivalizam e disputam espaço com outros grupos. Os valores e concepções de
bem viver partilhados por uma coletividade, aos quais Habermas denomina “ética”,
não apenas colidem e reivindicam espaço social, como entram em disputa hegemônica
com outras éticas, marcando presença em diferentes instituições privadas ou públicas.
O dinamismo da modernidade deriva da separação do tempo e do espaço e de sua
recombinação em formas que permitem o "zoneamento" tempo-espacial preciso da
vida social; do desencaixe dos sistemas sociais (um fenômeno intimamente vinculado aos
fatores envolvidos na separação tempo-espaço); e da ordenação e reordenação reflexiva das
relações sociais à luz das contínuas entradas (inputs) de conhecimento afetando as ações
de indivíduos e grupos (Giddens, 1991, p. 21).
Em sociedades complexas como as nossas, onde a internet e a globalização
trouxeram cenários cambiantes em velocidades cada vez mais impressionantes, onde
também a incidência de sistemas peritos é permanente e intensa em nossas vidas, a
gestão da informação se torna crucial. Dentre os desafios que se nos apresentam para
a gestão da informação eletronica, destacamos:
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