Direito e Informação na Sociedade em Rede: atas Direito e Informação na Sociedade em Rede: atas | Page 396

Deste modo, engessamos as instituições, imprimindo um caráter monocromático e monossemântico às informações que nelas se produzem e que por elas circulam. Perdemos, pois, grande parte do potencial inovador e ressignificante que a informação pode ter nas instituições. E isso ocorre também no âmbito da informação eletrônica, pois em que pese a velocidade das transformações tecnológicas e a constante ampliação de possibilidades operacionais e modais que tornam possíveis o trânsito das informações, há uma mitificação e naturalização paralisante do próprio fluxo de informações. Mais adiante analisaremos as razões disso. O efeito de aceleração advindo das técnicas avançadas de comunicação e de transporte possui uma importância totalmente diferente para a modificação a longo prazo do horizonte cotidiano de experiências. [...] A consciência do espaço e do tempo é afetada de um outro modo pelas novas técnicas de transmissão, armazenamento e elaboração de informações. [...] As distâncias espaciais e temporais não são mais “vencidas”; elas desaparecem sem deixar marcas na presença ubíqua de realidades duplicadas. A comunicação digital finalmente ultrapassa em alcance e em capacidade todas as outras mídias. Mais pessoas podem conseguir e manipular quantidades maiores de informações múltiplas e trocá-las em um mesmo tempo que independe das distâncias. Ainda é difícil de se avaliarem as conseqüências mentais da Internet, cuja aclimatação no nosso mundo da vida resiste de um modo mais enérgico do que a de um novo utensílio doméstico (Habermas, 2001, p. 57-58). O cenário descrito até o momento nos conduz a uma constatação de que possuímos cada vez mais ferramentais para a gestão da informação, especialmente a eletrônica, mas ao mesmo tempo continuamos reduzindo o próprio significado e o potencial da informação por uma compreensão míope do conhecimento. Buscamos melhorias com base na eficiência dos procedimentos, mas incorremos numa espécie de “jaula de ferro” weberiana, ornada com planejamento e burocracia exacerbada. Em grande parte das instituições públicas essa situação se torna gritante: sistemas de informação que não “conversam” entre si, informações acumuladas e armazenadas sem que haja um projeto institucional capaz de lhes conferir um propósito, plataformas que são incompatíveis ou obsoletas, e que implicam retrabalho para evitar perda de dados institucionais, ausência de programas insti tucionais voltados para a formação de pessoas na direção da gestão e da utilização das informações, etc. E aí se nos impõe a pergunta: por que e para que a informação é importante nas instituições? 2. Gestão da informação eletrônica, modernidade e instituições públicas A pergunta sobre o porquê de algo nos remete à necessidade de apontarmos um sentido, uma razão de ser que se conecta a objetivos mais amplos do próprio acontecer humano em sociedade e no planeta terra. Questionar acerca do porque implica trazer à discussão as finalidades da existência humana, presentes como um pano de fundo nas ações e omissões, nos proferimentos e nos silêncios cotidianos. 384