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Os vultosos investimentos iniciais demandados para a remodelagem operativa e tecnológica do sistema energético dependem, maioritariamente, da iniciativa privada e empresarial. O modelo regulatório setorial tradicional, entretanto, não assegura a recuperação de tais investimentos, prevendo – na maioria dos ordenamentos jurídicos – que eles devem ser totalmente suportados pelos cidadãos, o que atinge princípios relacionados à modicidade tarifária e à universalidade de serviços de natureza essencial, estritamente conectados aos direitos fundamentais11. Há também indefinições relativamente à propriedade, à gestão e à operação das novas infraestruturas. Ademais, não há especificações quanto às tecnologias e aos standards aplicáveis e aceitáveis em cada setor. Essas falhas e limitações, somadas às outras lacunas normativas, não condizem com o dinamismo das estruturas, relações e possibilidades que as redes elétricas inteligentes propiciam e dependem para vigorar em sua plenitude12. A mudança paradigmática desses sistemas – ao reduzir a intervenção do poder público, colocando os privados como sujeitos principais das políticas 13 em causa – promove uma nova interligação entre o direito e a economia, já que implica em importantes alterações de cunho econômico no quadro regulamentar vigente. Destaca-se, entre essas alterações, a definição de fontes de recursos14 para realização dos investimentos necessários ao atendimento dos novos conceitos (esquemas de parcerias público-privadas) e de ferramentas que garantam o correspondente retorno financeiro (comoditização das redes e substituição de esquemas de tarifários por técnicas regulatórias mais avançadas de value of money). Há a necessidade de modificar a sistemática de remuneração das distribuidoras de energia elétrica – em virtude daquela possibilidade de elas virem a prestar outros Massachusetts: Elsevier, 2012, p. 3-28; Knab, Sebastian; Strunz, Kai; Lehmann, Heiko. Smart Grid: the Central Nervous System for Power Supply: New Paradigms, New Challenges, New Services. In Scientific Series of the Innovation Centre Energy at the Technische Universität Berlin, vol. 2, Universitätsverlag der TU Berlin: Berlin, 2009. Disponível em: http://ssrn.com/abstract=1531655. Acesso em: 13 mar. 2016; Momoh, James. Smart Grid: Fundamentals of Design and Analysis. New Jersey. IEEE Press Editorial Board, 2012; OECD. Policies Roundtables. Eletricity: Renewables and Smart Grids, 2011. Disponível em: http://www.oecd.org/regreform/sectors/46586020.pdf. Acesso em: 13 mar. 2016. 11 Sobre relevantes questões relacionadas à regulamentação das redes inteligentes, veja-se: Weis, E.; Bräuchle, T. Regulatory Issues of Smart Grids. PPT Presentation. Karlsruhe Institute of Technology (KIT): EIT ICT Labs – Smart Energy Systems Summer School 2012. Disponível em: http://compliance.zar.kit.edu/downloads/Braeuchle_Weis_Regulatory_Aspects_of_Smart_Grids.pdf. Acesso em: 14 mar. 2016. 12 Ver: Contreras, Jorge L. Standards, Patents, and the National Smart Grid. Pace Law Review, vol. 32, issue 3, sum. 2012, p. 642-674; Basilica, Federico; Barazzoni, Fiorenza, coord.. Verso la Smart Regulation in Europa = Towards Smart Regulation in Europe. Santarcangelo di Romagna: Maggioli Editore, 2013. 13 Em sentido próximo, ver: Regulatory Assistance Project. Smart Grid or Smart Policies: Which Comes First?. Issue Letter, jul. 2009. Disponível em: http://www.smartgrid.gov/document/issuesletter_smart_grid_or_smart_policies_which_comes_first. Acesso em: 13 mar. 2016; Poudineh, Rahmatallah; Jamasb, Tooraj. Smart Grids and Energy Trilemma of Affordability, Reliability and Sustainability: The Inevitable Paradigm Shift in Power Sector. USAEE Working Paper, n. 2111643, 2012. Disponível em: http://ssrn.com/abstract=2111643. Acesso em: 13 mar. 2016. 14 Electric Power Reserarch Institute. Estimating the Costs and Benefits of the Smart Grid: a Preliminary Estimate of the Investment Requirements and the Resultant Benefits of a Fully Functioning Smart Grid, 2011. Disponível em: http://ipu.msu.edu/programs/MIGrid2011/presentations/pdfs/Reference%20Material%20%20Estimating%20the%20Costs%20and%20Benefits%20of%20the%20Smart%20Grid.pdf. Acesso em: 14 mar. 2016. 349