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analisado para tanto.
No entender de Marx, não só as questões econômicas, mas, também, a política,
as ideologias e, inclusive, a cultura influenciam no processo de constituição da classe
social. Partindo de seus conceitos de ordem social e ordem econômica, Weber separa
elementos que Marx integra numa mesma totalidade complexa, materialmente
determinada, a organização da produção social da existência. A noção de economia
estaria assentada sobre a organização da produção material. Tal fato explicaria o uso
do conceito mesmo para sociedades nas quais não há predominância do mercado
(Ferraz, 2009).
Já para Thompson (1987), a classe trabalhadora é resultado de um fenômeno
histórico, o qual unifica diversos acontecimentos díspares e aparentemente
desconectados, decorrendo, em última análise, das relações humanas. Ele defende que,
através dela, é possível entender uma realidade submersa e escondida aos olhos de
quem olha diretamente ou isola os fatos tecidos pelas ações humanas.
Ela acontece quando alguns homens, como resultado de experiências comuns,
sentem e articulam a identidade de seus interesses contra homens cujos interesses
diferem dos seus. O que majoritariamente determina a experiência de classe são as
relações de produção, nas quais os homens nasceram ou involuntariamente entraram.
Os interesses presentes não são exatamente iguais, mas, sim, apenas alguns confluem
num mesmo sentido, tendo uma curva convergente, a qual os une.
Este raciocínio defendido por Thompsom diverge do adotado pelos marxistas,
os quais encaram a classe como tendo existência real, surgindo a partir da divisão
social do trabalho, enquanto, para o escritor inglês, ela seria uma relação e não uma
“coisa”, reunindo vagamente um amontoado de fenômenos descontínuos.
A Classe seria uma formação tanto cultural quanto econômica, surgindo de
forma diversa dependendo do tempo e lugar, sendo definida “pelos homens enquanto
vivem a sua própria história” (Thompson, 1987, p. 12), só podendo ser estudados os
processos que a ensejam quando presentes durante um considerável período histórico.
Se analisarmos os homens parte da “classe” durante um determinado período
adequado de mudanças sociais, observaremos padrões em suas relações, suas ideias e
instituições. Thompson defende, mesmo de forma implícita, a própria evolução da
“classe”, pois, nesta linha de pensamento, deve-se supor que a mudança de relações,
ideias e instituições, com o passar do tempo, acaba por modificá-la, inclusive a seus
membros. Podemos imaginar que, nesta linha de pensamento, a própria “classe”, ante
as mudanças a si impostas pelos fatores citados, deixa de existir, dando lugar a outra,
com novas feições, e apenas vagamente lembrando a “anterior”.
As experiências (assim como as relações e ideias dos trabalhadores em geral)
não podem ser padronizadas, não sendo possível, por exemplo, traçar um paralelo
perfeito entre os trabalhadores ingleses do interstício compreendido entre os anos de
1780 a 1832, quando, “em sua maioria vieram a sentir uma identidade de interesses
entre si, e contra seus dirigentes e empregadores” (Thompson, 1987, p. 12), e os dos
demais países. É de salientar que o próprio autor ressalta esta impossibilidade geral
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