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trabalhadores, indo além, transformando a própria classe de trabalhadora como um
todo, levando-a a limites novos os quais ensejam uma nova leitura de muitas das
teorias sociológicas sobre o tema.
O conceito de Classe para Marx foi sempre essencial para a compreensão das
sociedades capitalistas, de seus conflitos e transformações. Já para Weber, ele é básico
para se entender uma das dimensões da distribuição de poder na sociedade.
A linha teórica adotada por Max Weber traz o economicismo para o centro da
questão. Esse caminho adotado acaba tornando secundários outros aspectos políticos,
ideológicos e culturais ligados ao modo de vida e às ações coletivas dos trabalhadores.
Na sua análise, por exemplo, o operariado fabril integraria de imediato uma classe
social, a classe operária, pois a chamada “situação de mercado” seria essencial para a
determinação de classe.
Para o pensador alemão, as classes sociais não seriam comunidades, sendo
definidas como
(…) um grupo de pessoas que possuem em comum um componente causal específico
de suas oportunidades de vida, componente estritamente vinculados aos interesses
econômicos, ligados à posse de bens e a oportunidades de rendimentos, obtidos sob
condições específicas do mercado de produtos ou do mercado de trabalho (...) (Ferraz,
2009, p. 273).
Para Weber, a classe se define a partir de situações:
De suprimento de bens, condições exteriores de vida, e experiências pessoais, na medida
em que essa oportunidade é determinada pelo volume e tipo de poder, ou por sua
ausência, de dispor de bens ou habilidades em beneficio de rendimentos em uma dada
ordem econômica. O termo “classe” refere-se a qualquer grupo de pessoas que se
encontra na mesma situação de classe (Weber, 1971, p. 63).
Não obstante, o próprio Weber (2010) reconhece que a dinâmica social não
pode ser explicada apenas sob os ângulos da esfera de mercado e da dimensão
econômica, pois teria sido o protestantismo fundamental para o desenvolvimento do
capitalismo no ocidente.
Como bem observado por Ferraz (2009), o próprio sociólogo reconheceu a
impossibilidade de se explicar as relações entre os agentes sociais apenas pela situação
de mercado, sendo também para tanto importante a análise das relações de poder,
ideias e valores.
Seguindo uma linha mais claramente “plúrima”, para a tradição marxista, apesar
dos trabalhadores permanecerem numa situação semelhante quanto às relações com
as forças produtivas e a organização social da produção, outros fatores determinantes
das classes devem ser considerados, não devendo os econômicos figurarem como
únicos apreciados. A similitude acerca da situação econômica não significa
necessariamente a existência entre os trabalhadores de laços afetivos ou identidade de
modos de vida, por exemplo. Assim sendo, a situação econômica de um determinado
grupo de trabalhadores em cotejo com a organização social da produção serve como
base para o reconhecimento da classe social, porém, não é a única que deve ser
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