suas implicações ideológicas. Aqueles que possuíam um estilo acadêmico concentravam-se na lógica interna das questões. Aqueles que tinham um estilo advocatício tendiam a ignorar a lógica interna e a privilegiar as considerações políticas( Caplan apud Choo, 2003, p. 78).
Em termos de construção teórica, podemos fazer algumas observações de caráter geral: 1) As necessidades e os usos da informação devem ser examinados dentro do contexto profissional, organizacional e social dos usuários. As necessidades de informação variam de acordo com a profissão ou o grupo social do usuário, suas origens demográficas e os requisitos específicos da tarefa que ele está realizando; 2) Os usuários obtêm informações de muitas e diferentes fontes, formais e informais. As fontes informais, inclusive colegas e contatos pessoais, são quase sempre tão ou mais importantes que as fontes formais, como bibliotecas ou bancos de dados online; 3) Um grande número de critérios pode influenciar a seleção e o uso das fontes de informação. As pesquisas descobriram que muitos grupos de usuários preferem fontes locais e acessíveis, que não são, necessariamente, as melhores. Para esses usuários a acessibilidade de uma fonte de informação é mais importante que sua qualidade( Choo, 2003, p. 79).
MacMullin e Taylor identificam onze dimensões de problemas que definem a necessidade de informação e servem de critérios pelos quais a relevância da informação para um problema pode ser avaliada. Essas dimensões posicionam os problemas sobre um continuum entre cada um dos seguintes pares: a) planejamento e descoberta; b) Bem estruturado e mal estruturado; c) Simples e complexo; d) Objetivos específicos e objetivos amorfos; e) Estado inicial compreendido e estado inicial não compreendido; f) Pressupostos acordados e pressupostos não acordados; g) Padrões familiares e novos padrões; h) Risco de pequena magnitude e risco de grande magnitude; i) Suscetível de análise empírica e não suscetível de análise empírica; j) Imposição interna e imposição externa. Coletivamente, essas dimensões oferecem uma representação detalhada das situações problemáticas que cercam o ambiente de uso da informação e sugerem maneiras de elaborar as necessidades de informação, que incluem as necessidades do sujeito e as demandas da situação( MacMullin e Taylor apud Choo, 2003, p. 95-96).
Taylor afirma que a necessidade humana de informação passa por quatro níveis: visceral, consciente, formalizado e adaptado. No nível visceral, a pessoa tem uma vaga sensação de insatisfação, um vazio de conhecimento que quase sempre é inexprimível em termos lingüísticos. A necessidade visceral pode tornar-se mais concreta à medida que o indivíduo obtém novas informações e sua importância cresce. Essa descrição mental provavelmente será feita na forma de afirmações vagas ou de uma narrativa que reflete a ambigüidade que a pessoa ainda sente. Para estabelecer um foco, a pessoa pode se consultar com colegas e amigos, e quando a ambigüidade é suficientemente reduzida, a necessidade consciente passa ao nível formalizado. No nível formalizado, o indivíduo já é capaz de fazer uma descrição racional da necessidade de informação, expressa, por exemplo, por meio de uma pergunta ou um tópico. Nessa fase, a descrição formal é feita sem que o usuário tenha necessariamente de considerar quais fontes de informação estão disponíveis. Quando interage com uma fonte ou sistema de informação, seja diretamente ou por meio de um intermediário, o usuário pode
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