Direito e Informação na Sociedade em Rede: atas Direito e Informação na Sociedade em Rede: atas | Page 314
A tomada de decisões da organização é racional não apenas em espírito (e
aparência), mas na execução: a organização é intencionalmente racional, mesmo que
seus membros tenham sua racionalidade limitada. Metas e objetivos são estabelecidos
de antemão, e quando os participantes encontram problemas na busca desses
objetivos, procuram informações sobre as alternativas e conseqüências, e avaliam os
resultados de acordo com os objetivos e preferências. O modelo tem uma
característica linear de troca de energia, com foco no fluxo de informações nos
processos decisórios da organização. Choo conclui que, infelizmente, o
comportamento dos indivíduos é limitado por sua capacidade cognitiva, seu nível de
informação e seus valores. Uma maneira de superar essa distância entre a
racionalidade da organização e a racionalidade limitada dos indivíduos é criar
premissas que orientem as decisões e rotinas, que guiem o comportamento individual
na tomada de decisões (Choo, 2003, p. 43-44).
As pessoas coletam informações ostensivamente para tomar decisões, mas não
as utilizam. Pedem relatórios, mas não os lêem. Lutam para participar dos processos
decisórios, mas depois não exercem esse direito. As políticas são vigorosamente
debatidas, mas sua implementação é realizada com indiferença. Os executivos
parecem gastar pouco tempo para tomar decisões, mas na verdade vivem envolvidos
em reuniões e conversas . Em outras palavras, a vida numa organização não envolve
apenas escolha, mas também interpretação, e o processo decisório deve abranger o
processo de criação de significado mesmo enquanto analisa os comportamentos
decisórios . A principal preocupação da criação de significado é entender como as
pessoas da organização criam significado e realidade, e depois explorar como essa
realidade interpretada fornece um contexto para a ação organizacional, inclusive para
a tomada de decisões e para a construção do conhecimento (Choo, 2003, p. 46--48).
Choo defende que a informação e o insight nascem no coração e na mente dos
indivíduos, e que a busca e o uso da informação são um processo dinâmico e
socialmente desordenado que se desdobra em camadas de contingências cognitivas,
emocionais e situacionais. A busca e o processamento da informação são
fundamentais em muitos sistemas sociais e atividades humanas, e a análise das
necessidades e dos usos da informação vem se tornando um componente cada vez
mais importante da pesquisa em áreas como a psicologia cognitiva, estudo da
comunicação, difusão de inovações, recuperação da informação, sistemas de
informação, tomada de decisões e aprendizagem organizacional” (Choo, 2003, p. 6667).
O valor da informação, reside no relacionamento que o usuário constrói entre
si mesmo e determinada informação. Assim, a informação só é útil quando o usuário
infunde-lhe significado, e a mesma informação objetiva pode receber diferentes
significados subjetivos de diferentes indivíduos (Choo, 2003, p. 70).
Caplan investiga o uso da informação proveniente de pesquisas no campo das
ciências sociais na formulação de políticas governamentais. A natureza e a extensão
do uso da informação também eram influenciadas pelo estilo cognitivo dos
participantes. Três estilos foram identificados. Aqueles que tinham um estilo clínico
conseguiam analisar a lógica interna objetiva ou científica de uma questão, assim como
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