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acontecimentos. “Toda confiança é num certo sentido confiança cega” (Giddens, 1991, p. 35); 4) O que se estabelece em relação às fichas simbólicas ou aos sistemas peritos se relaciona com a fé na probidade dos especialistas na execução dos seus procedimentos técnicos. “A confiança em pessoas, é claro, é sempre relevante em certo grau para a fé em sistemas, mas diz respeito antes ao seu funcionamento apropriado do que à sua operação enquanto tal” (Giddens, 1991, p. 35); 5) “A confiança pode ser definida como crença na credibilidade de uma pessoa ou sistema, tendo em vista um dado conjunto de resultados ou eventos, em que essa crença expressa uma fé na probidade ou amor de um outro, ou na correção de princípios abstratos” (Giddens, 1991, p. 35); 6) Na modernidade, identifica-se a confiança nos seguintes contextos: (a) a consciência geral de que a atividade humana — incluindo nesta expressão o impacto da tecnologia sobre o mundo material — é criada socialmente, e não dada pela natureza das coisas ou por influência divina; (b) o escopo transformativo amplamente aumentado da ação humana, levado a cabo pelo caráter dinâmico das instituições sociais modernas. O conceito de risco substitui o de fortuna, mas isto não porque os agentes nos tempos pré-modernos não pudessem distinguir entre risco e perigo. Isto representa, pelo contrário, uma alteração na percepção da determinação e da contingência, de forma que os imperativos morais humanos, as causas naturais e o acaso passam a reinar no lugar das cosmologias religiosas. A ideia de acaso, em seus sentidos modernos, emerge ao mesmo tempo que a de risco (Giddens, 1991, p. 35, grifo nosso). 7) Apesar de diretamente relacionados, perigo e risco não significam a mesma coisa. “O que o risco pressupõe é precisamente o perigo (não necessariamente a consciência do perigo)”, ou seja, “Qualquer um que assume um "risco calculado" está consciente da ameaça ou ameaças que uma linha de ação específica pode pôr em jogo”. O que não impede que os indivíduos estejam expostos a circunstâncias muito arriscadas sem que tenham consciência do risco que estão correndo (Giddens, 1991, p. 37); 8) “Risco e confiança se entrelaçam, a confiança normalmente servindo para reduzir ou minimizar os perigos aos quais estão sujeitos tipos específicos de atividade”. Em casos em que os riscos são institucionalizados, usualmente, a destreza e as contingências estão previstos, sob risco calculado. Assim, por exemplo, “As pessoas envolvidas com o funcionamento das linhas aéreas respondem a isto demonstrando estatisticamente o quão baixos são os riscos da viagem aérea, conforme medidos pelo número de mortes por mil passageiros” (Giddens, 1991, p. 37); 9) “O risco não é apenas uma questão de ação individual. Existem "ambientes de risco' que afetam coletivamente grandes massas de indivíduos”. A “segurança” se estabelece quando certa ocorrência tem seus perigos reduzidos ou anulados. “A experiência de segurança baseia-se geralmente num equilíbrio de confiança e risco aceitável. 298