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Giddens se refere a este fenômeno como de universalização ou planetarização
do homem, que passa a sofrer a interferência de outras culturas e a interferir
globalmente em outras, se valendo para isso do uso de “fichas simbólicas”:
Quero distinguir dois tipos de mecanismos de desencaixe intrinsecamente envolvidos
no desenvolvimento das instituições sociais modernas. O primeiro deles denomino de
criação de fichas simbólicas; o segundo chamo de estabelecimento de sistemas peritos.
Por fichas simbólicas quero significar meios de intercâmbio que podem ser "circulados"
sem ter em vista as características específicas dos indivíduos ou grupos que lidam com
eles em qualquer conjuntura particular. Vários tipos de fichas simbólicas podem ser
distinguidos, tais como os meios de legitimação política; devo me concentrar aqui na
ficha do dinheiro (Giddens, 1991, p. 25).
As fichas simbólicas são elementos simbólicos (econômicos, como o dinheiro;
políticos, como a representatividade política; etc.) que unem indivíduos com outros
seres humanos que não são do seu lugar ou da sua etnia.
Além disso, a modernidade caracteriza-se pela necessidade da adoção dos
sistemas peritos, ou seja, sistemas de excelência técnica ou competência profissional
que organizam grandes áreas dos ambientes material e social em que o homem
moderno vive. Leigo, a fim de manter-se a salvo dos diversos riscos sobre os quais
não possui ingerência ou conhecimento pleno, consulta "profissionais", advogados,
arquitetos, médicos etc. Periodicamente, a fim de se sentir mais seguro, afinal, ele
conhece muito pouco os códigos de conhecimento usados pelos profissionais que
consulta, mas precisa ter “fé” no trabalho que estes prestam. Uma fé que não é
colocada na outra pessoa, mas na sua competência técnica e na sua capacidade de dar
“garantias” a respeito de assuntos que o indivíduo não pode verificar e conferir
exaustivamente por ele mesmo (Giddens, 1991, p. 26).
A confiança, segundo Giddens, pressupõe consciência das circunstâncias de
risco, o que não ocorre com a crença. Tanto a confiança como a crença se referem a
expectativas que podem ser frustradas ou desencorajadas (1991, p. 32-33). Assim,
sugere o autor conceituar a confiança em itens assim correlacionados:
1) “A confiança está relacionada à ausência no tempo e no espaço”. Não
seria necessário confiar em alguém que se ocupa a exercer atividades
cujas etapas de execução fossem totalmente conhecidas e entendidas.
A confiança é "um dispositivo para se lidar com a liberdade dos outros",
ao qual o indivíduo se submete não por falta de poder, mas por falta de
conhecimento técnico pleno (Giddens, 1991, p. 35);
2) “A confiança está basicamente vinculada, não ao risco, mas à
contingência”. Para que se estabeleça confiança é necessário que o
indivíduo desenvolva probidade ou amor. “É por isto que a confiança
em pessoas é psicologicamente consequente para o indivíduo que
confia: é dado um refém moral à fortuna” (Giddens, 1991, p. 35);
3) “A confiança não é o mesmo que fé na credibilidade de uma pessoa ou
sistema; ela é o que deriva desta fé”. A confiança é a união de fé e
crença, distinguindo-se do "conhecimento indutivo fraco", que
constitui uma crença justificada por algum tipo de domínio dos
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