Direito e Informação na Sociedade em Rede: atas Direito e Informação na Sociedade em Rede: atas | Página 308
Introdução
Os novos modelos relacionais, laborais ou pessoais, capazes de viabilizar o
fortalecimento das instituições, com vistas à participação de um cidadão autônomo
estabelecer laços colaborativos de fato são traços da Modernidade.
As discussões em torno do conhecimento institucional repousam sobre a
técnica sistematicamente desenvolvida sobre o histórico das relações de trabalho e as
ferramentas tecnológicas colocadas a disposição da sociedade.
As tomadas de decisões com base em conhecimento técnico nem sempre são
suficiente para resolver problemas vivenciados no cotidiano das instituições.
Além disso, uma discussão sobre uma teoria critica do conhecimento no
Judiciário não pode somente se basear em elementos empíricos extraídos dentro do
estado da técnica.
É necessário refletir sobre os valores que norteiam as instituições jurídicas e os
interesses daqueles que participam do processo da formação do conhecimento dos
tribunais. Somente dessa forma é possível garantir que a conclusão final do
conhecimento não esteja baseada em pressupostos pré-concebidos dentro da
epistemologia do conhecimento.
1. A modernidade e confiança nas decisões técnica e os sistemas peritos
O estilo de vida, os costumes e a org anização social na "modernidade" referemse intimamente à noção de segurança, perigo, confiança e risco. As relações receberam
o tratamento da cadeia de produção industrial com a mesma lógica de “mercadoria”,
verificada também na implacável exploração dos recursos naturais, até mesmo a ponto
de destruir e colocar em risco a própria vida no planeta (Giddens, 1991, p. 8-9).
Segundo Giddens, o capitalismo na modernidade tem o seu impacto sobre a
totalidade das relações sociais e institucionais, o que alicerça a sociedade moderna no
fenômeno do industrialismo e da divisão social do trabalho dele derivada; o segundo,
por sua vez, focando o capitalismo, mas calcando a sua ênfase não no seu aspecto
econômico, mas na questão da burocracia e na burocratização das relações sociais - a
“jaula de ferro” criada pelo ser humano para si mesmo (Giddens, 1991, p.17).
O tempo e o espaço modernos passaram a ser administrados, controlados, e
uniformes, a exemplo disso, verificam-se os calendários padronizados e as medidas
de distância definidas então no mesmo parâmetro, o que promove a transcendência
de lugar através da universalização de padrões, resultando no desenraizamento do
sujeito, um desencaixe com relação ao conjunto de significados locais do indivíduo
(Giddens, 1991, p. 18).
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