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1. Introdução
Atualmente vivemos numa sociedade em constante mudança. Na verdade, ao
contrário de outras gerações ao longos dos séculos, a atual sociedade consegue passar
por mutações cada vez mais rápidas. Torna-se, portanto, necessário saber quais as
causas da maior celeridade nas alterações relevantes na sociedade.
Objetivamente, um dos principais fatores a ter em conta consiste na forma
rápida como a informação é transmitida. Com efeito, na presente data em apenas
alguns minutos uma notícia positiva ou negativa consegue chegar ao conhecimento
de um elevado número de destinatários. Basta relembrar o recente caso dos atentados
em Paris1 que começou a ser divulgado mundialmente quando parte dos factos ainda
se encontravam a decorrer na sala de espetáculos do Bataclan. Assim, recebemos na
vida informação que muitas vezes pode estar a decorrer no preciso momento em que
a percepcionamos.
Mas podemos afirmar que esta evolução era expectável?
Ao longo da história, sempre existiu quem sonhasse com o futuro distante.
Alguns destes sonhadores conseguiram partilhar as suas expectativas através de
diferentes formas, nomeadamente a literatura, a pintura ou o cinema. Recorrendo a
estas ferramentas podemos constatar que a imagem do futuro variava bastante. Júlio
Verne, por exemplo, conseguiu com alguma competência imaginar submarinos,
viagens à lua ou aviões. No entanto, nestas sociedades modernas imaginadas nunca
se equacionou que já em 2016 o mundo estaria dominada por um conceito designado
de “redes sociais”2.
Na verdade, por muito que pensássemos na sociedade atual há 20 anos atrás,
nunca poderíamos imaginar na revolução que as redes sociais proporcionaram nas
nossas vidas. O espaço de diálogo entre pessoas ou grupos tem mantido o mesmo
vigor de outrora, mas agora nem sempre é efetuado de forma pessoal. As redes sociais
ocuparam o lugar que já pertenceu aos espaços públicos.
Para a disseminação das redes sociais, foi fundamental o facto de o acesso às
mesmas ter passado a ser efetuado através de aparelhos móveis, desde telemóveis,
tablets ou computadores portáteis. Significa, pois, que para aceder a uma rede social,
basta ter acesso a internet, independentemente do local. Deste modo, as redes sociais
podem ser acompanhadas por qualquer um e a qualquer momento.
Nesta sociedade em que a troca de informação é, como já vimos, cada vez mais
rápida, as redes sociais têm um papel fundamental na sua mutação. A velocidade em
que uma dada informação é divulgada, pode estar diretamente relacionada com o
número de partilhas realizadas em plataformas como o LinkedIn, Twitter ou
Facebook.
Referimo-nos aos atentados ocorridos no dia 13 de novembro de 2015 em Paris.
Basta pensar como se imaginava o mundo de 2019 em Blade Runner (Ridley Scott, 1982) ou no livro que lhe
deu origem (Dick, Philip K. - Do androids dreams of electronic sheep?, 1968) ou como o Regresso ao Futuro (Robert
Zemekis, 1989) considerava plausível a existência de carros voadores no ano de 2015. Em nenhum destes dois
exemplos, foi sugerido pelo respetivo autor uma dinâmica semelhante às redes sociais.
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