De Pompei a Pompeia De Pompei a Pompeia - Miolo - A5 136pag | Page 127
de Jesus contemplado com os olhos e o coração de Maria, sendo
uma oração ao alcance de todos. Foi ele, João Paulo II, quem,
além dos mistérios da alegria, da dor e da glória, acrescentou
os mistérios da Luz. Assim marcou o seu 25º ano de pontificado.
Propôs marcar o terceiro milênio da Igreja com a récita do rosá-
rio, oração capaz de levar os fiéis à contemplação do mistério
cristão, o itinerário contemplativo. Em 2003, a 07 de outubro, João
Paulo II, numa jornada mariana no santuário de Pompeia, ajoe-
lhou-se para suplicar a paz, diante do quadro de Nossa Senhora
do Rosário de Pompeia, na igreja levantada pelo Beato Bartolo
Longo com a colaboração dos devotos de Nossa Senhora.
A devoção do rosário no Brasil
A devoção do rosário chegou ao Brasil, trazida pelos missio-
nários, e logo se espalhou, principalmente entre os escravos. O
rosário era, além de símbolo de oração, enfeite pendurado ao
pescoço. Ao final de cada dia, reunidos em torno do tirador de
rezas, ouvia-se a prece dos escravos unida à meditação dos misté-
rios da vida de Cristo. Pelo Brasil afora, foram aparecendo as
irmandades do rosário com estatutos e igrejas próprios. Os líde-
res eram eleitos, um rei e uma rainha. Estes deviam ser negros
libertos ou escravos. Assistiam às festividades e acompanhavam
a procissão atrás do pálio.
Nos dias de festa, o rei e a rainha apareciam ricamente vesti-
dos e presidiam as cerimônias rituais cercados por sua corte.
Esse grupo descia as ruas, exibindo danças e cânticos, congados,
que ainda hoje existem em algumas cidades de Minas Gerais. Na
cidade mineira de Resende Costa, minha terra natal, todo ano,
uma semana antes do dia 07 de outubro, data da festa de Nossa
Senhora do Rosário, aconteciam as festas dos chamados reisados,
em que os participantes, com suas canelas enfeitadas com choca-
lhos a tinir, ao som de músicas características, esbaldavam-se em
sua alegria contagiante em homenagem à Senhora do Rosário.
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