De Pompei a Pompeia De Pompei a Pompeia - Miolo - A5 136pag | Page 114
isoladamente. Só se falava: o Vesúvio explodiu! Sufoco de pedras
e gases. As pessoas, por onde caíram, ficaram enterradas, petrifi-
cadas. Plínio Cecílio, chamado o Moço, na casa de seu tio cogno-
minado de Plínio, o Velho, que também foi vítima, ao ajudar no
socorro às vítimas, pôde anotar os dados gerais da hecatombe.
Mesmo a 24 quilômetros, do outro lado da baía, ainda se temiam
sérios riscos. Segundo ele, no dia 24 de agosto de 79 d.C., uma
gigante explosão deu o primeiro sinal. Foi um pinheiro-sombri-
nha ou um cogumelo colossal, levando cinzas e gases venenosos.
De repente, o dia se fez noite. E, à luz de lamparinas, Plínio foi
anotando tudo de que se lembrava. As nuvens, antes vaporosas,
agora eram de matéria sólida. Tudo era projetado às alturas e
jogado literalmente em forma de lavas arredondadas e disfor-
mes sobre a cidade. Era agora um mar de cinzas escaldantes.
Apenas os tetos das casas mais altas apareciam, enquanto supor-
taram o peso, para ruírem momentos depois. Só após o terceiro
dia, apareceu uma claridade solar, como que passando por uma
peneira medrosa.
Plínio, o Velho, almirante e comandante da frota romana na
baía, levou os barcos para Pompeia. Não pôde fazer nada. Foi para
Stabiae, também inutilmente. Então, fugiu para lugares mais altos
e amplos, protegendo a cabeça com travesseiros. Na manhã do
segundo dia, foi encontrado morto, vítima dos gases sulfurosos.
Pompeia, dias antes, celebrara o banquete do Divino Augusto,
que havia morrido, e o novo imperador, Tito, havia assumido o
poder. Gritos, compras, vendas, festas e propaganda política se
fizeram presentes. Pompeia era a cidade dos prazeres. Símbolos
fálicos eram esculpidos ou pintados e sempre eretos. Criava-se
uma fantasia do eterno prazer.
Era uma cidade burguesa. Ali, os escravos estavam satisfeitos
e eram bem tratados. O anfiteatro superava seu homônimo de
Roma. Dizia-se que quem ia a Pompeia era para prazeres do leito
e da arena. Era chamada de Colônia Cornélia Venéria.
Em Pompeia, o grande orador romano, Cícero, tinha seu sítio
114