Contemporânea Contemporânea #9 | Page 18

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Ale (Ana Maria) Mujica Rodriguez possui graduação em Medicina - Universidad Autónoma De Bucaramanga, Colômbia - UNAB (2009), especialização em Docência Universitária - Universidad Industrial de Santander, Colômbia (2012). Mestre em Saúde Coletiva da UFSC (2014). Possui doutorado também em Saúde Coletiva (2019), pela UFSC. Atuou em ensino e pesquisa na área da saúde na UNAB. Desenvolve pesquisas no campo das questões Trans (Transexualidades, travestilidades e transgeneridades), saúde LGB, gênero e saúde, gordofobia, políticas públicas. Feminista e ativista autônome do movimento Trans e lésbico, do movimento gordo, do movimento feminista em saúde e da frente catarinense pela legalização e discriminalização do aborto. Faz parte do NeTrans (Núcleo de estudos e pesquisas de travestilidades, transgeneridades e transexualidades) – UFSC/Cnpq.

Contato: mujica.rodriguez86@gmail.com

fortalecendo e encontrando espaços onde se sentia seguro e cômodo de re-aparecer.

Cenário 4: Alejandro foi re-aparecendo em diferentes territórios lúdico-acadêmicos, performáticos e íntimos. Até que um dia uma amiga me comentou: ‘parece que Alejandro agora está sempre contigo’. Afetivamente, essa frase ecoou em mim profundamente, me fez dar mais um movimento, incorporar Alejandro ao meu dia-a-dia. Entre leituras e blogs chegou aos meus olhos a palavra não binárie, como uma forma possível de identificação. Como comenta Judith Butler (1997), o que não se nomeia não existe, a palavra como produtora da realidade e das subjetividades. Inicie um processo de materialização através da linguagem desde esse outro lugar que minha corpa agora está habitando, às margens dos dois gêneros passiveis de existência.

Finalmente, estes cenários são percursos e percussores da minha trajetória pessoal, mas também como médique, pesquisadore e ativista. Assim como, de uma visão ético-(micro/macro)política que colore as minhas reflexões entorno do normal e patológico, do controle e regulação das corpas pela sociedade hetero-patriarcal, cis, branca, magra que nos estrutura e das (in)visibilidades que demarcam os territórios que habitam as corpas fora dos binarismos.

Que nos permitamos sermos desobedientes, discordantes e dissidentes para resistir e viver dignamente.

Referências

Butler Judith. Lenguaje, poder e identidad. España: Editorial Síntesis; 1997.

Notas

¹ Termo pejorativo acunhado pela Espanha a partir dos anos 70’s para se referir às pessoas imigrantes da América do Sul que se encontravam no território espanhol. O qual foi re-apropriado e re-ivindicado por estas últimas. Leia também: Natanson, Brigitte. De la inmigración al exilio, cómo se nombra al extranjero. Christian LAGARDE, Ilda MENDES DOS SANTOS, Philippe RABATÉ et Ana-Clara SANTOS (éds.), La part de l’Étranger, HispanismeS, n°1.

² 2013.https://mujeresalborde.org/mujeres-al-borde/nosotrs/

³ Outras são: triba, bollera, torta, chonga, lencha, bollo, marimacho, cambuja, tijera, virago, sáfica, desviada, machorra, maricona, invertida, tribada, cachapera, leñadora, maricada. Se bem algumas destas foram usadas como formas de xingamento, ao longo dos anos tem sido resignificadas pelo(s) próprio(s) movimento(s).

4 Uma performance da masculinidade. Leia-se: Sabsay, Leticia Inés. La Performance Drag King: Usos del cuerpo, identidad y representación. Revista Question, Universidad Nacional de La Plata (12) pp. 1–11. 2006.

5 Professora adjunta do Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento do Instituto de Psicologia da UnB (Universidade de Brasília).